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Publicado em 17/02/2026, às 08h00 Foto: Reprodução/Freepik Fernanda Montanha
O Carnaval, hoje associado a desfiles grandiosos e trios elétricos, tem raízes muito anteriores à forma como é celebrado no Brasil. A origem da festividade não é brasileira e remonta a períodos anteriores ao Cristianismo, quando marcava celebrações ligadas à colheita em diferentes regiões da Europa.
Pesquisadores apontam conexões com práticas de povos da Mesopotâmia, da Grécia e de Roma. Nessas culturas, existia a ideia do chamado mundo de cabeça para baixo, momento em que regras eram temporariamente suspensas para dar espaço a festejos e excessos.
O culto a Dionísio, conhecido como Baco entre os romanos, simbolizava esse espírito. As celebrações dedicadas ao deus do vinho e do teatro reuniam música, bebida e manifestações públicas, segundo a CNN.
Com o avanço do Cristianismo entre a Idade Média e a Idade Moderna, o sentido da festa foi transformado. O período passou a anteceder a Quaresma, fase de penitência e preparação para a Páscoa, o que reforçou a ideia de aproveitar os dias anteriores às restrições religiosas.
Em países europeus, ganharam destaque tradições como o Entrudo português e os bailes de máscaras italianos. No Entrudo, era comum lançar água, ovos, farinha e até frutas estragadas nas ruas, envolvendo grande parte da população.
A chegada da celebração ao Brasil ocorreu com a colonização portuguesa, no século XVII, especialmente no Rio de Janeiro. A participação de pessoas negras escravizadas contribuiu para dar caráter popular à festa.
Enquanto isso, famílias brancas mantinham comemorações privadas e reproduziam práticas como atirar baldes de água pelas janelas. Com o tempo, influências da aristocracia europeia estimularam a realização de bailes de máscaras no século XIX.
A formação de sociedades carnavalescas levou novamente as manifestações para as ruas. O crescimento da adesão popular impulsionou desfiles acompanhados por marchinhas e, posteriormente, pelo samba, consolidando a identidade musical da festa.
Embora a história do Carnaval seja extensa, o formato atual é relativamente recente. O Sambódromo da Marquês de Sapucaí foi inaugurado em 1984, estruturando as competições entre escolas de samba.
A dimensão econômica e turística do evento também se ampliou. Em 2024, a festa movimentou cerca de R$ 900 mil e atraiu mais de 200 mil turistas, segundo dados da Embratur.
O reconhecimento internacional reforça essa relevância. Desde 2005, o Carnaval brasileiro é considerado patrimônio cultural imaterial pela UNESCO, evidenciando sua importância histórica e cultural.