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Publicado em 02/02/2026, às 07h00 Foto: Reprodução/Freepik Fernanda Montanha
Cerca de 3,1 milhões de estudantes da rede estadual de São Paulo retomam as aulas na próxima segunda-feira 2, em mais de 5.000 unidades espalhadas pelo estado.
Para o ano letivo de 2026, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo estruturou mudanças que atingem desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio. As medidas envolvem expansão do ensino técnico, novos modelos de gestão escolar e reforço em ações pedagógicas.
Segundo a pasta, a proposta é dar continuidade a programas já implementados nos últimos anos, ao mesmo tempo em que são feitos ajustes operacionais e pedagógicos.
O planejamento prevê impacto direto nos indicadores educacionais e na organização das escolas, conforme explicou o secretário estadual da Educação, Renato Feder.
Um dos principais destaques para 2026 é a expansão do Ensino Médio Técnico. O número de matrículas na educação profissional deve alcançar 231 mil alunos, distribuídos em 2.212 escolas da rede. Em 2023, esse total era de 35 mil vagas. A ampliação consolida o modelo técnico como uma das prioridades da política educacional estadual.
O portfólio de cursos também foi ampliado e agora soma 11 opções, incluindo eletrônica e meio ambiente, além de áreas como administração, agronegócio, ciência de dados, desenvolvimento de sistemas, enfermagem, farmácia, hospedagem, logística e vendas. Outras 60 formações seguem disponíveis por meio de parcerias com Senai-SP e Senac-SP.
Alunos da 2ª e 3ª séries do itinerário técnico continuam integrando o Programa BEEM, que oferece bolsas de estágio. Em 2025, 10 mil estudantes foram contratados por empresas parceiras, com bolsas de até R$ 851,46. A expectativa da Seduc-SP é abrir mais 30 mil vagas de estágio até o segundo semestre.
Outra novidade é o início das atividades de 100 unidades do programa Escola Cívico-Militar, após consultas públicas realizadas com as comunidades escolares.
As escolas estão presentes em 89 municípios e atendem alunos do Ensino Fundamental e Médio. O modelo mantém o Currículo Paulista e incorpora apoio de monitores na gestão disciplinar e no acolhimento dos estudantes.
Os militares vinculados ao programa passam por avaliações periódicas feitas por diretores e alunos, além de processos semestrais de desempenho. A permanência no modelo depende dos resultados dessas análises.
A estrutura administrativa das escolas também foi revista. A partir de 2026, o número de gestores passa a ser definido conforme o total de alunos matriculados.
Unidades com até 200 estudantes terão, no mínimo, diretor, coordenador pedagógico e gerente de organização escolar. Escolas maiores contarão com equipes ampliadas, incluindo vice-diretores e mais agentes de organização escolar.
No campo pedagógico, segundo a Agência SP, a Seduc-SP ampliou o programa de tutoria e recomposição de aprendizagem para estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Nos anos iniciais, o foco é alfabetização e letramento matemático. Já do 6º ao 9º ano, a prioridade é atender alunos com defasagens em língua portuguesa e matemática. O número de escolas participantes nos anos finais sobe de 2.800 para 3.400.
No Ensino Médio, professores de orientação de estudos contam com apoio de alunos monitores do BEEM. Em 2025, mais de 7 mil estudantes da 3ª série atuaram no programa, e em 2026 a seleção será aberta para alunos da 1ª à 3ª série, com início previsto para 9 de fevereiro.
Os dados mais recentes do programa Alfabetiza Juntos SP indicam avanço nos indicadores. A Avaliação de Fluência Leitora aplicada no fim de 2025 mostrou que 76% dos alunos do 2º ano apresentam leitura adequada para a idade.
O resultado aproxima a rede estadual da meta de atingir 90% de alfabetização aos 7 anos, com redução significativa dos níveis mais críticos de pré-leitura.