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Publicado em 01/04/2026, às 19h21 Foto: Unsplash. Bianca Novais
A montadora chinesa BYD prepara um movimento estratégico que pode redefinir sua posição no mercado automotivo global: a criação de uma equipe própria de Fórmula 1.
A iniciativa, revelada pela Bloomberg e repercutida pelo UOL, surge como resposta a críticas sobre a falta de prestígio da marca em comparação a fabricantes tradicionais do Ocidente.
Apesar do crescimento acelerado nas vendas e da presença cada vez maior em diversos países, a BYD ainda enfrenta resistência em mercados mais consolidados. Entrar na Fórmula 1 aparece como uma vitrine poderosa para mudar essa percepção.
A categoria, que passou por uma transformação significativa na última década sob gestão da Liberty Media, ampliou seu público e se tornou ainda mais atrativa para grandes marcas.
Esse movimento não é isolado. Apenas em 2026, duas novas montadoras — Cadillac e Audi — investiram cerca de US$ 450 milhões apenas para garantir uma vaga no grid. O valor total pode ser muito maior quando considerados os custos operacionais e tecnológicos. Ainda assim, o retorno em imagem e posicionamento de marca é visto como compensador.
Além do impacto na reputação, a Fórmula 1 funciona como um laboratório de inovação. O desenvolvimento de tecnologias sob pressão competitiva tende a gerar avanços que podem ser aplicados diretamente nos veículos de rua. Para a BYD, esse fator é ainda mais relevante.
Com a nova fase da categoria, iniciada em 2026, os carros passaram a ter uma participação elétrica mais significativa, com quase metade da potência vinda de sistemas eletrificados. Esse cenário favorece a montadora chinesa, que já possui expertise consolidada nesse tipo de tecnologia.
Outro ponto central da possível entrada na Fórmula 1 é o interesse da BYD no mercado dos Estados Unidos. Atualmente fora desse cenário por barreiras políticas e tarifas elevadas, a empresa busca alternativas para aumentar sua influência.
Uma das estratégias já cogitadas foi a construção de uma fábrica no México, permitindo exportações com vantagens tarifárias. No entanto, medidas protecionistas recentes dificultaram esse plano, com taxas que chegam a inviabilizar a operação.
Nesse contexto, a presença na Fórmula 1 pode funcionar como uma ferramenta indireta de pressão, aumentando o reconhecimento da marca entre consumidores americanos e criando demanda que, eventualmente, influencie mudanças regulatórias.
A possível entrada da BYD também atende a um interesse da própria Fórmula 1: expandir sua base de fãs na China. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, já manifestou o desejo de ter uma equipe chinesa no grid.
Com um público potencial gigantesco, o país pode se tornar o maior mercado da categoria. Estimativas indicam que, se atingir níveis de interesse semelhantes aos do Reino Unido, a China poderia reunir até 339 milhões de espectadores.