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Publicado em 30/03/2026, às 13h14 Foto: Reprodução/Freepik Nathalia Quiereguini
Nos últimos anos, medicamentos como o Ozempic ganharam destaque principalmente por seu efeito no emagrecimento.
No entanto, com o aumento do número de pacientes em tratamento e o avanço das pesquisas científicas, médicos e pesquisadores têm observado que os impactos desses medicamentos podem ir muito além da perda de peso.
O Ozempic pertence a uma classe de medicamentos conhecida como agonistas de GLP-1, segundo informações da Epóca Negócios.
Eles foram desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, pois ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue e estimulam a sensação de saciedade.
Esses mecanismos explicam parte dos efeitos metabólicos positivos observados, mas estudos recentes indicam que sua atuação pode envolver diversos sistemas do organismo.
Um dos benefícios mais estudados está relacionado à saúde cardiovascular.
Pesquisas indicam que a semaglutida, substância presente no Ozempic, pode reduzir o risco de eventos cardiovasculares importantes, como infarto e acidente vascular cerebral, especialmente em pessoas com sobrepeso, obesidade ou histórico de doença cardíaca.
Esse efeito parece estar associado à melhora de fatores metabólicos e à redução de processos inflamatórios.
Outro campo de destaque é a saúde renal. Ensaios clínicos têm demonstrado que pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica podem apresentar redução na progressão da doença quando utilizam medicamentos dessa classe.
O efeito protetor observado não parece depender apenas da perda de peso, sugerindo que outros mecanismos metabólicos também estejam envolvidos.
O fígado também pode se beneficiar. Estudos indicam melhora em casos de esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, uma forma mais avançada da doença hepática gordurosa.
Essa condição está diretamente ligada à obesidade e a alterações metabólicas, e a melhora desses fatores pode ajudar a reduzir a inflamação e a progressão da doença.
Pesquisadores também investigam possíveis efeitos no cérebro.
Alguns pacientes relatam redução da compulsão alimentar e maior controle sobre o apetite, o que pode estar relacionado à atuação do medicamento em áreas cerebrais ligadas à recompensa e ao comportamento alimentar.
Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que o uso desses medicamentos deve ser feito com acompanhamento médico.
Existem efeitos colaterais possíveis e muitos dos benefícios observados podem diminuir após a interrupção do tratamento.
Ainda assim, os estudos indicam que esses medicamentos podem representar um avanço importante na compreensão e no tratamento das doenças metabólicas.
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