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Trend da caricatura com IA: qual é o nível de exposição de dados pessoais?

Especialistas apontam que seguir a trend pode revelar informações sensíveis e facilitar golpes virtuais  |  Foto: Gerada por ChatGPT

Publicado em 12/02/2026, às 11h41   Foto: Gerada por ChatGPT   Érica Sena

A trend que viralizou nas redes sociais ao pedir que ferramentas de inteligência artificial criem caricaturas“com tudo o que sabem sobre você” acendeu um alerta sobre privacidade digital. Embora os resultados chamem atenção pela criatividade e fidelidade, a brincadeira pode revelar muito mais do que apenas traços físicos.

A proposta é simples: solicitar que o chatbot gere uma imagem baseada nas informações acumuladas ao longo das interações com o usuário, como citado pela CNN Brasil.

O problema é que, além da aparência, algumas caricaturas passaram a exibir detalhes como profissão, gostos pessoais, rotina e até locais frequentados, dados que nem sempre são compartilhados de forma consciente.

O que as IAs realmente sabem

Por padrão, muitas plataformas de IA utilizam o histórico de conversas para aprimorar seus modelos de linguagem. Além disso, algumas contam com recursos de “memória”, que armazenam contexto para personalizar respostas futuras.

Isso significa que, ao longo do tempo, o chatbot pode reunir um conjunto relevante de informações sobre preferências, hábitos e experiências relatadas pelo próprio usuário. Ao participar da trend e pedir uma imagem baseada nesse histórico, esses dados podem acabar refletidos na caricatura.

Foto: gerada por ChatGPT

O diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky, Fabio Assolini, destacou que diversas pessoas ficaram surpresas com o nível de detalhes exibidos nas imagens. Segundo ele, informações consideradas “não públicas” apareceram nos resultados, e alguns usuários chegaram a corrigir a IA para tornar as descrições ainda mais precisas.

Riscos e como se proteger

O maior risco surge quando essas imagens são compartilhadas em perfis abertos. Dados como local de trabalho, preferências pessoais e rotina podem ser usados por criminosos para aplicar golpes personalizados.

“Com tantos dados compartilhados, isso vale ouro para fraudadores”, alerta Assolini. Informações detalhadas facilitam ataques de engenharia social, em que o golpista utiliza conhecimento prévio sobre a vítima para ganhar confiança.

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam evitar inserir informações sensíveis nos prompts, utilizar fotos já públicas e limitar a visibilidade das postagens. Outra alternativa é optar por modos anônimos oferecidos por algumas plataformas, que não armazenam histórico nem utilizam os dados para treinamento.

A participação em trends pode parecer inofensiva, mas exige atenção redobrada quando envolve dados pessoais e ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Classificação Indicativa: Livre


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