Polícia
Publicado em 05/05/2026, às 15h09 Foto: Reprodução/TV Globo. Bianca Novais
Quatro testemunhas serão ouvidas pelo Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar em um processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto da corporação.
As audiências estão marcadas para os dias 11 e 14 de maio, conforme publicação oficial. As informações foram divulgadas pelo g1.
O procedimento ocorre de forma independente da ação penal que investiga a morte da soldado Gisele Alves, atingida por um disparo na cabeça em 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o oficial, na região do Brás, em São Paulo. O CJ avalia se o militar reúne condições morais e funcionais para permanecer na instituição.
Depoimentos reunidos durante a investigação apontam um padrão de comportamento marcado por controle e vigilância.
Uma das testemunhas, colega de trabalho da vítima, afirmou que o oficial monitorava redes sociais e aplicativos de mensagens da esposa, além de tentar acompanhar sua rotina profissional ao se escalar para atividades nos mesmos locais.
Segundo o relato, Gisele evitava usar maquiagem em casa por imposição do marido e relatava episódios em que ele espionava conversas, chegando a se esconder para observá-la.
A testemunha também afirmou que a policial mencionava planos de separação e preocupação com a própria segurança.
Outras testemunhas descreveram a presença frequente do tenente-coronel no ambiente de trabalho da vítima. De acordo com uma sargento, ele aparecia quase diariamente, aguardando na porta da seção e observando a movimentação.
A policial relatou que Gisele demonstrava tensão nessas situações e mencionava conflitos recorrentes motivados por ciúmes.
Uma cabo também confirmou episódios de vigilância e afirmou que o oficial chegou a perseguir uma colega após um comentário sobre a aparência de Gisele, sendo contido por outros policiais.
Os depoimentos indicam que, nos meses anteriores à morte, a vítima cogitava formalizar o divórcio.
O primeiro policial militar a chegar ao local relatou estranhamento com a cena encontrada. Segundo o depoimento, a arma estava posicionada sobre a perna da vítima e não havia cartuchos visíveis, o que divergia de ocorrências semelhantes já atendidas.
Ele também afirmou que o oficial manteve-se ao telefone por longos períodos e tentou tomar banho após a retirada do corpo, apesar de orientação contrária.
Geraldo Neto responde por feminicídio e fraude processual. O Ministério Público sustenta que ele matou a esposa e tentou simular suicídio, enquanto a defesa nega o crime e afirma que a morte foi provocada pela própria vítima.
Preso preventivamente desde março, o oficial também é alvo de investigação interna conduzida por três coronéis da PM. Mesmo aposentado, ele ainda recebe remuneração, que pode ser suspensa caso o Conselho decida pela expulsão. O julgamento administrativo pode ocorrer independentemente da decisão da Justiça comum.