Polícia
Publicado em 13/01/2026, às 08h44 Foto: Reprodução/Tv Fernanda Montanha
Uma movimentação inesperada chamou a atenção de policiais da 27ª Delegacia de Polícia, localizada na zona sul de São Paulo, nos últimos dias. Suzane von Richthofen esteve no local com a intenção de liberar o corpo de seu tio, Miguel Abdala Netto, de 76 anos, encontrado morto dentro da própria residência na semana passada.
Segundo informações divulgadas pelo colunista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, o pedido não foi aceito pelos agentes. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trata a morte como suspeita.
A decisão ocorreu diante da necessidade de aprofundar a apuração das circunstâncias do óbito, já que não havia elementos suficientes para autorizar o sepultamento imediato.
Segundo Hugo Gloss, Miguel vivia sozinho e mantinha uma rotina discreta, com pouco contato social. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o corpo foi encontrado em avançado estado de putrefação. Embora não tenham sido identificados sinais evidentes de agressão, o imóvel foi isolado para perícia técnica.
Exames toxicológicos foram solicitados e ainda aguardam conclusão, etapa considerada essencial para esclarecer o que aconteceu. Somente após os laudos periciais será possível descartar ou confirmar hipóteses, segundo fontes ligadas à investigação.
O episódio ganhou repercussão ainda maior após o portão da casa onde o corpo foi localizado amanhecer pichado com uma frase que levantava suspeitas. A inscrição causou comoção entre vizinhos e reforçou o clima de tensão em torno do caso.
A delegacia onde Suzane tentou liberar o corpo é a mesma onde ela prestou depoimento em 2002, durante as investigações sobre o assassinato de seus pais.
No local, ela teria alegado ser a parente consanguínea mais próxima do tio, por ser sobrinha de primeiro grau, e tentou formalizar o procedimento para o sepultamento.
Caso o pedido tivesse sido autorizado, Suzane poderia abrir caminho para assumir a função de inventariante dos bens deixados por Miguel. O patrimônio inclui uma casa, um apartamento no bairro do Campo Belo e um sítio no litoral paulista, avaliados em cerca de R$ 5 milhões. A possibilidade de acesso aos bens aumentou a atenção das autoridades sobre o caso.
Após a negativa na delegacia, Suzane procurou o fórum e entrou com um pedido de tutela judicial para tentar reverter a decisão. Enquanto isso, o corpo permanece sob custódia do Instituto Médico Legal.
Um dia antes, Sílvia Magnani, prima e ex-companheira de Miguel, também tentou liberar o corpo. No entanto, foi autorizada apenas a realizar o reconhecimento oficial no IML.
O nome de Suzane von Richthofen ficou nacionalmente conhecido após o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002. Inicialmente tratado como latrocínio, o caso teve reviravolta dez dias depois, quando Suzane, Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos confessaram o crime.
Os três foram condenados a penas próximas de 40 anos e atualmente cumprem regime semiaberto. Em 2023, veio a público que Suzane conheceu seu atual companheiro por meio de um aplicativo de relacionamento, com quem teve um filho.