Polícia

Caso Thawanna: câmera corporal desmente versão de PM; entenda as implicações legais

Imagens de câmera corporal contradizem tese de legítima defesa e reforçam críticas sobre preparo policial e controle no uso de armas letais nas ruas  |  Facebook @thawanna.salmazioo.

Publicado em 09/04/2026, às 21h19   Facebook @thawanna.salmazioo.   Bianca Novais

A morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, ganhou novos contornos após a análise das imagens captadas por câmera corporal durante a ação policial, na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

O material, registrado pelo parceiro da soldado Yasmin Cursino Ferreira, mostra que não houve agressão prévia por parte da vítima antes do disparo fatal.

Segundo a advogada criminalista Jacqueline Valles, as imagens são contundentes e afastam qualquer possibilidade de legítima defesa. Para ela, o caso já reúne elementos suficientes para que a policial responda perante o Tribunal do Júri.

As gravações indicam que Thawanna caminhava ao lado do marido, Luciano Gonçalves dos Santos, quando o braço dele encostou no retrovisor de uma viatura. O episódio deu início a uma discussão com os policiais militares. Em cerca de 36 segundos, a situação evoluiu: a soldado desceu do veículo, discutiu com a moradora e efetuou o disparo.

Logo após o tiro, o próprio colega de farda questiona a ação da policial, também em áudio captado pela câmera. Thawanna chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ela deixou cinco filhos e completaria 32 anos poucos dias depois. O caso está sob investigação do Ministério Público de São Paulo.

Falta de preparo da Polícia Militar

Na avaliação de Jacqueline Valles, a conduta da policial demonstra ausência de preparo técnico e emocional. A advogada ressalta que a legítima defesaexige reação proporcional, o que, segundo ela, não se aplica ao caso.

“A policial tinha outras formas de conter a situação sem recorrer a um disparo letal”, afirma. Para Valles, o conjunto de provas evidencia que não houve estrito cumprimento do dever legal nem exercício regular do direito, reforçando a necessidade de julgamento pelo Tribunal do Júri.

Medidas e responsabilização

A criminalista defende o afastamento imediato da soldado das atividades operacionais, com recolhimento da arma, enquanto as investigações seguem. A medida, segundo ela, é essencial para garantir a lisura do processo e a segurança da sociedade.

Alerta sobre controle e vigilância

Além da análise do caso específico, Jacqueline Valles faz um alerta mais amplo sobre o uso de câmeras corporais e o controle das ações policiais. Para ela, falhas no uso adequado desses equipamentos prejudicam tanto a sociedade quanto os próprios agentes.

“Policiais militares andam com armas letais. Precisamos ter vigilância sobre suas atitudes”, afirma. A advogada destaca que episódios como esse tendem a se repetir enquanto não houver fiscalização rigorosa sobre quem exerce o poder de tirar uma vida.

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