Polícia

Como funcionava o esquema? Governo de SP quebra rede de lavagem de R$ 1,1 bilhão

Investigação aponta que grupo utilizava empresas de fachada para ocultar patrimônio e movimentar grandes quantias em dinheiro.  |  

Publicado em 12/02/2026, às 09h50      Fernanda Montanha

Na manhã desta quinta-feira (12), a Polícia Civil de São Paulo desencadeou uma operação para desmantelar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O alvo é um grupo empresarial que atua na distribuição de produtos eletrônicos na capital e em outras regiões do Brasil. As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, utilizando empresas de fachada e transações complexas.

A ação envolve 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual (Sefaz-SP) e dois promotores de Justiça, cumprindo 20 mandados de busca e 3 de prisão em São Paulo e Santa Catarina.

A força-tarefa atua em quatro endereços ligados ao grupo e tem como objetivo apreender bens e documentos relacionados às operações financeiras irregulares, segundo a Agência SP.

Estrutura financeira do esquema

O inquérito revelou que a organização desviava pagamentos de vendas eletrônicas realizadas pela plataforma principal para empresas de fachada. As notas fiscais eram emitidas por terceiros, criando um fluxo de recursos difícil de rastrear. Essa engenharia financeira permitiu que houvesse grande diferença entre o faturamento real e o patrimônio auditável das empresas operacionais.

O Gaepp – Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial, ligado ao Ministério Público de São Paulo, já conseguiu o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em valores e bens. Entre os ativos bloqueados estão cerca de R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos de alto valor, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

Uso de “laranjas” e confusão patrimonial

A investigação mostrou que o grupo recorria a pessoas com antecedentes criminais ligadas a facções, utilizando-as como sócios de fachada e beneficiários de propriedades de alto padrão. Essa estratégia visava proteger o patrimônio do grupo e dificultar a identificação dos verdadeiros donos.

Além da lavagem de dinheiro, a operação constatou uma confusão deliberada de bens e recursos, com o intuito de fraudar credores, o fisco e o sistema judiciário. Os crimes fiscais detectados serão comunicados aos órgãos competentes para providências legais, enquanto a investigação principal segue focada na integração de recursos ilícitos com negócios legítimos.

A ação conta com a participação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Ministério Público de São Paulo e da Sefaz-SP, demonstrando um esforço conjunto entre polícia, justiça e fiscalização tributária para desarticular operações financeiras ilegais de grande escala.

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