Polícia

PF aponta elo entre Grupo Fictor e CV em esquema milionário de fraudes bancárias

Investigação da Polícia Federal aponta uso compartilhado de empresas de fachada e movimentações simuladas para lavar dinheiro e obter crédito ilegal  |  Foto: Reprodução/Linkedin

Publicado em 26/03/2026, às 10h27   Foto: Reprodução/Linkedin   Érica Sena

A operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal, identificou que o Grupo Fictor e células da facção Comando Vermelho utilizavam a mesma estrutura para lavagem de dinheiro e fraudes contra instituições financeiras.

O esquema, segundo os investigadores, pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões e resultou na prisão de ao menos 15 suspeitos. Entre os alvos estão executivos ligados ao grupo empresarial, incluindo o CEO Rafael de Gois, como citado pelo G1.

Estrutura sofisticada de fraude

De acordo com a PF, o modelo operava com base na criação em massa de empresas de fachada, abertas com dados de “laranjas” e aparência de legalidade. Essas companhias apresentavam documentação contábil fraudada para simular alto faturamento e, assim, conseguir acesso a crédito bancário.

A engrenagem incluía ainda movimentações financeiras artificiais, como transferências entre empresas do mesmo grupo e pagamentos cruzados, criando um histórico financeiro falso capaz de enganar bancos. Parte essencial do esquema era a cooptação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas e facilitavam a liberação de recursos.

Conexão com o crime organizado

A investigação aponta que a estrutura também era utilizada por integrantes do Comando Vermelho para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Os valores ilícitos eram inseridos no sistema por meio das empresas fictícias e, posteriormente, convertidos em bens de luxo e criptomoedas, dificultando o rastreamento.

Foto: Divulgação/PF

Para a PF, o compartilhamento do modelo revela a existência de um “ecossistema criminoso”, no qual empresários, operadores financeiros e facções atuavam de forma integrada.

Impacto e desdobramentos

As fraudes atingiram bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e outras instituições privadas, que sofreram prejuízos milionários. A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros de investigados, além da quebra de sigilos bancário e fiscal de dezenas de pessoas e empresas.

Os envolvidos podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.

As investigações continuam para identificar novos participantes e dimensionar o alcance total do esquema.

Classificação Indicativa: Livre


TagsPolícia

Leia também


PF mira CEO do Grupo Fictor em operação contra fraudes que podem ultrapassar R$ 500 milhões


STF autoriza transferência de Daniel Vorcaro para penitenciária federal no DF; entenda