Polícia
Publicado em 14/01/2026, às 09h35 Foto: Divulgação Fernanda Montanha
A Polícia Federal colocou em andamento, nesta quarta feira, 14, a segunda etapa da Operação Compliance Zero, voltada a apurar suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
A ofensiva tem como um dos principais alvos o banqueiro Daniel Vorcaro, que voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. A repetição do nome do empresário na investigação reforça o avanço das apurações, segundo fontes ligadas ao caso.
Além de Vorcaro, a ação também alcança parentes próximos, como a irmã, o cunhado e um primo, todos suspeitos de participação em operações financeiras consideradas irregulares pelas autoridades.
Ao todo, a PF cumpre 42 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Os agentes recolhem documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o aprofundamento da investigação.
A operação ganhou dimensão nacional pela quantidade de alvos e pela extensão geográfica, o que evidencia a complexidade do caso.
Durante a deflagração da operação, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos. A detenção ocorreu em aeroporto e chamou a atenção dos investigadores, que avaliam se havia risco de fuga.
O foco central desta nova fase é aprofundar as suspeitas de gestão fraudulenta no Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que fundos de investimento sediados na região da Faria Lima teriam sido utilizados para viabilizar operações financeiras irregulares. Essas estruturas, em tese, teriam servido para mascarar desvios e movimentações atípicas, segundo os investigadores.
Empresários ligados a esses fundos também passaram a ser investigados, entre eles Nelson Tanure. A PF tenta esclarecer se houve conluio entre executivos do banco e gestores de fundos para beneficiar pessoas físicas ligadas ao grupo.
A operação se apoia em dois conjuntos principais de provas. O primeiro reúne elementos obtidos na fase inicial da investigação, deflagrada em novembro, que analisou possíveis irregularidades na tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília.
O segundo conjunto surgiu a partir de uma nova comunicação de crime feita pelo Banco Central, que apontou indícios mais detalhados de operações fraudulentas envolvendo fundos de investimento. Com base nesses dados, a PF solicitou medidas mais duras, incluindo o bloqueio de R$ 5,7 bilhões pertencentes aos investigados.
A suspeita é de que esse montante tenha sido retirado da contabilidade do banco e transferido, de forma indevida, para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de pessoas próximas, segundo o Estadão.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro informou que tomou ciência das medidas judiciais e reiterou que o banqueiro tem colaborado de forma contínua com as autoridades. Segundo os advogados, todas as determinações da Justiça estão sendo cumpridas com transparência.
A defesa também afirmou que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado. Os representantes legais destacam confiança no devido processo legal e afirmam que atuarão para que os fatos sejam apurados dentro dos limites constitucionais.