Polícia
Publicado em 25/03/2026, às 10h51 Foto: Reprodução/Linkedin Érica Sena
APolícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a operação “Fallax”, que tem como um dos principais alvos o empresário Rafael de Gois, CEO do Grupo Fictor.
A investigação apura um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões, com impacto direto sobre a Caixa Econômica Federal, como citado pelo G1.
Além de Rafael de Gois, o ex-sócio Luiz Rubini também é alvo da operação, com mandado de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário autorizados pela Justiça Federal. Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Segundo a PF, o grupo criminoso atuava de forma estruturada, com cooptação de funcionários de instituições financeiras para inserir dados falsos nos sistemas bancários. Isso permitia a realização de saques e transferências indevidas, que posteriormente eram ocultadas por meio de empresas de fachada e operações financeiras complexas.
Os valores desviados eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
As investigações também apontam que o mesmo esquema de lavagem de dinheiro teria sido utilizado por integrantes do Comando Vermelho, ampliando a gravidade do caso.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões, como forma de descapitalizar a organização criminosa. Também foram autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
O caso ocorre meses após o Grupo Fictor anunciar a tentativa de compra do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. A negociação envolvia um aporte bilionário, mas foi frustrada após a liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central.
Após o episódio, o grupo enfrentou uma crise de confiança no mercado, com retirada de cerca de R$ 2 bilhões por investidores e posterior pedido de recuperação judicial de empresas ligadas à holding.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
A operação segue em andamento, com novas diligências para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos desviados.
PF investiga lavagem de milhões com uso de criptomoedas no país
PF faz nova operação: o que se sabe sobre as buscas contra Vorcaro?