Polícia
Publicado em 23/04/2026, às 11h59 Foto: Reprodução/Unsplash Fernanda Montanha
Um levantamento recente aponta um cenário crítico no sistema penitenciário de São Paulo. Entre 2015 e 2023, foram registradas 4.189 mortes, o que representa uma média de um óbito a cada 19 horas dentro das unidades prisionais.
O estudo indica que o número de mortes se manteve elevado ao longo dos anos, com pouca variação anual, evidenciando um problema persistente. A análise foi conduzida pelo Condepe em parceria com outras instituições.
Com uma população superior a 200 mil detentos, o estado enfrenta superlotação em diversas unidades. Esse contexto agrava as condições de saúde e dificulta o atendimento adequado aos presos, segundo o G1.
A escassez de profissionais de saúde é apontada como um dos principais fatores para a alta mortalidade. Segundo o relatório, 78 das 180 unidades não contam com equipes vinculadas ao SUS.
Além disso, quase 17 mil atendimentos médicos foram cancelados em 2025 por falta de escolta, o que compromete consultas, exames e cirurgias. Em muitos casos, o deslocamento até hospitais externos se torna inviável.
Especialistas afirmam que doenças tratáveis acabam evoluindo para quadros graves. Problemas como tuberculose e complicações de diabetes são citados entre as principais causas de morte.
A situação estrutural também preocupa. Em unidades como a Penitenciária de Parelheiros, que opera acima da capacidade, faltam médicos, enfermeiros e outros profissionais essenciais.
Relatórios de inspeção indicam que detentos doentes ou com deficiência são mantidos em celas superlotadas e sem condições básicas, incluindo ausência de água quente e iluminação. Há ainda queixas sobre atraso na entrega de medicamentos.
O sistema oferece apenas remédios básicos em algumas unidades, enquanto familiares não podem fornecer outros itens necessários. Isso dificulta o tratamento contínuo de doenças.
Segundo pesquisadores, o problema tem caráter estrutural e envolve diferentes esferas do poder público. A adesão de municípios a políticas de saúde prisional é considerada insuficiente, criando lacunas no atendimento.
Diante desse cenário, o relatório será encaminhado a órgãos estaduais para propor medidas de médio prazo, com foco na melhoria da assistência médica. A proposta busca enfrentar falhas recorrentes e garantir atendimento mínimo à população carcerária.
A Secretaria da Administração Penitenciária afirma que mantém ações de higiene, atendimento médico e programas de saúde, além de investir na recomposição do efetivo.