Polícia

“Treinamento básico”, diz técnico de curso feito por sócio de academia

Curso apresentado por sócio da C4 Gym teve apenas quatro horas de duração e, segundo instrutor, não habilita para manutenção de piscina da academia  |  Foto: Reprodução

Publicado em 14/02/2026, às 15h35   Foto: Reprodução   Érica Sena

O sócio da academia C4 Gym, Celso Bertolo Cruz, apresentou um certificado de conclusão de curso de tratamento de água de piscinas, realizado em agosto de 2023, após a morte de uma aluna e a internação de outras seis pessoas que utilizaram a piscina do estabelecimento, na zona leste da capital.

O documento atesta que Celso participou de um treinamento presencial, de caráter teórico e prático, com carga horária de quatro horas. No entanto, o próprio responsável por ministrar o curso, o técnico em piscinas José Américo, afirmou que:

É um treinamento básico, não é uma capacitação técnica para assumir o tratamento da piscina.

Segundo o instrutor, o curso foi voltado a pessoas que desejam contratar empresas especializadas e precisam apenas de noções introdutórias para fiscalizar o serviço prestado.

Floto: Divulgação

Ele ressaltou que o treinamento foi realizado exclusivamente com Celso, sem a participação de outros funcionários da academia, localizada no Parque São Lucas, como citado pelo site Metrópoles.

“Eu levo até dois anos para formar um funcionário comigo. Quatro horas não tornam ninguém técnico”, afirmou José Américo. Ele declarou ainda que orientou Celso a contratar uma empresa qualificada para realizar a manutenção da piscina e alertou sobre os riscos envolvidos.

Morte após aula de natação

O caso ganhou repercussão após a morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, no último sábado (7/2). A jovem passou mal depois de uma aula de natação na C4 Gym e sofreu uma parada cardíaca. Ela foi levada ao hospital, mas não resistiu.

O marido da vítima, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, também apresentou mal-estar e foi internado em estado grave. Outras pessoas que utilizaram a piscina relataram sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dificuldade respiratória. O caso foi registrado no 6º Distrito Policial de Santo André.

Mensagens sobre produtos químicos

Mensagens obtidas pela reportagem indicam que o manobrista responsável pelos cuidados com a piscina recebia orientações diretas de Celso sobre a aplicação de produtos químicos. Em alguns trechos preservados, aparecem comandos como “Joga mais 6” e “Joga 2”, sem detalhamento da substância ou da dosagem.

Em depoimento à Polícia Civil do Estado de São Paulo, Celso afirmou que se apresentou como responsável pela manutenção da piscina e confirmou que orientava o funcionário. Ele também admitiu ter apagado parte das mensagens após saber da morte da aluna, alegando desespero.

Apesar de terem sido indiciados, Celso Bertolo Cruz e os outros dois sócios da C4 Gym permanecem em liberdade. A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva nesta sexta-feira (13/2). O caso segue sob investigação para apurar eventual responsabilidade criminal pelas intoxicações registradas na academia.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSão PauloPolícia

Leia também


Homicídio culposo: proprietários de academia são indiciados


Polícia confirma causa da morte em piscina de academia na zona leste de SP