Política
Publicado em 01/04/2026, às 07h32 Foto: Reprodução/Unsplash Fernanda Montanha
No Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, dados recentes indicam melhora no cenário alimentar de crianças e adolescentes no Brasil. Os números refletem o impacto de políticas públicas voltadas à renda, alimentação e acompanhamento de saúde.
O monitoramento nutricional também avançou nos últimos anos. A ampliação da cobertura na atenção básica contribuiu para acompanhar mais crianças em todo o país, fortalecendo o controle sobre indicadores de nutrição, segundo a Agência Gov.
Entre 2022 e 2025, o número de crianças menores de 5 anos monitoradas passou de 6,2 milhões para 7,9 milhões. No mesmo período, houve redução nos índices de magreza acentuada, de 2,8% para 1,8%, e de obesidade, de 6,4% para 5,7%.
A melhora nos indicadores nutricionais acompanha a queda nos níveis de fome. Dados do IBGE apontam que 3,6% das crianças e adolescentes viviam em insegurança alimentar grave em 2024, contra 4,8% no ano anterior.
Em números absolutos, a redução também chama atenção. O total caiu de cerca de 2,5 milhões para 1,8 milhão em apenas um ano, o que representa uma diminuição próxima de 30% no período analisado.
Esse é o menor índice registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2004. O acompanhamento é feito com base na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, aplicada na PNAD Contínua.
Os resultados estão ligados à combinação de programas sociais e ações coordenadas pelo governo federal. Entre eles, estão benefícios voltados diretamente à infância dentro do Bolsa Família.
O Benefício Primeira Infância garante R$ 150 mensais para famílias com crianças de 0 a 6 anos. Já o adicional para a faixa de 7 a 17 anos prevê R$ 50 por criança ou adolescente.
Estudos apontam efeitos concretos dessas iniciativas. Entre crianças com baixa estatura em 2019, 77% passaram a apresentar altura adequada em 2023, enquanto 64% das que tinham magreza atingiram peso considerado ideal.
Outro fator relevante é a alimentação oferecida nas escolas públicas. O Programa Nacional de Alimentação Escolar atende atualmente 38 milhões de estudantes, incluindo 7,6 milhões na educação infantil.
Em 2026, os repasses foram reajustados, após aumento já registrado em 2023. A presença na escola também está associada a menores índices de insegurança alimentar, segundo os dados mais recentes.
Entre estudantes de 5 a 17 anos matriculados, 8% estavam em situação moderada ou grave. Já entre os que não frequentavam instituições de ensino, o índice chegou a 16%.
O cenário observado reflete a atuação conjunta de diferentes frentes. A combinação entre renda, acesso à alimentação e acompanhamento em saúde tem sido apontada como fator decisivo.
Segundo a secretária Valéria Burity, os dados demonstram efeitos práticos dessas ações. Ela afirma que garantir condições básicas às famílias contribui diretamente para a melhora nutricional e para o desenvolvimento infantil no país.