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Marquise do Ibirapuera alaga dias após reinauguração e põe em cheque obra milionária

Espaço do parque Ibirapuera voltou a operar após quase seis anos fechado, mas alagamento fechou banheiros e expôs falhas logo após entrega  |  Foto: Reprodução/Redes sociais.

Publicado em 28/01/2026, às 14h46   Foto: Reprodução/Redes sociais.   Bianca Novais

Três dias depois de ser reinaugurada, a nova Marquise do Parque Ibirapuera enfrentou um alagamento causado pelas fortes chuvas que atingiram a capital paulista, resultando no fechamento dos banheiros do local, mesmo com a área principal aberta ao público.

A obra, que consumiu quase R$ 87 milhões em recursos públicos, havia sido inaugurada no sábado (24). O problema foi constatado na terça-feira (27) e verificado no dia seguinte por reportagem do Metrópoles, que esteve no parque e encontrou os sanitários interditados.

A concessionária Urbia, responsável pela gestão do Ibirapuera, foi procurada pelo veículo, mas não respondeu até a publicação.

Entrega após longa interdição

A Marquise ficou totalmente fechada por quase seis anos. Embora já apresentasse riscos estruturais, a interdição total só ocorreu em 2020. Antes disso, o espaço já havia passado por uma reforma entre 2010 e 2012, mas em 2017 parte do concreto cedeu, quase atingindo frequentadores.

Mesmo concedido à iniciativa privada desde 2019, o contrato não previa a reforma da Marquise. A responsabilidade pela obra acabou ficando com a administração municipal, que repassou recursos públicos à própria concessionária, que também poderá explorar economicamente o espaço.

Prefeito defende concessão

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) participou da reinauguração e defendeu tanto o investimento quanto o modelo de concessão. Ao lado do presidente da Urbia, ele afirmou que não pretende rever o contrato, ressaltando a importância da “segurança jurídica” e do respeito às cláusulas firmadas.

Segundo Nunes, o foco da prefeitura deve ser a fiscalização, tarefa atribuída à SP Regula. O prefeito também elogiou a gestão do parque, citando uma pesquisa de satisfação contratada pela concessionária que aponta nota 9,1 dada pelos usuários.

Regras confusas de uso

Além do alagamento, a reabertura foi marcada por confusão sobre as regras de uso da Marquise. Inicialmente, a prefeitura havia anunciado a proibição de skatistas, ciclistas e patinadores, mas recuou e liberou 13% da área para essas atividades, com delimitações específicas.

Na prática, faltou orientação. Frequentadores circularam livremente, incluindo bicicletas fora do padrão permitido e patinetes elétricos. Nem mesmo funcionários e vigilantes sabiam explicar o que era autorizado.

A Marquise, projetada por Oscar Niemeyer e tombada como patrimônio, é um dos símbolos do Ibirapuera, inaugurado em 1954.

O episódio do alagamento e a desorganização inicial reacendem o debate sobre planejamento, execução e fiscalização de concessões privadas de espaços públicos.

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