Política
Publicado em 20/01/2026, às 10h03 Foto: Divulgação Érica Sena
Os tradicionais orelhões estão desaparecendo das ruas brasileiras e a tendência deve se intensificar ao longo de 2026. A partir de janeiro, operadoras de telefonia fixa passaram a ter autorização para retirar os aparelhos considerados não obrigatórios, após a adaptação dos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime de autorização. A mudança marca o fim de uma era da comunicação pública no Brasil, cada vez menos compatível com a realidade do uso massivo de celulares.
Dados obtidos pela CNN Brasil mostram que, em dezembro de 2025, o país contava com 38.454 orelhões, menos da metade dos 84.938 registrados no mesmo mês de 2024. Antes da pandemia, em janeiro de 2020, esse número ultrapassava 200 mil aparelhos espalhados pelo território nacional, como citado pela CNN Brasil.
A redução está diretamente ligada à alteração prevista na Lei Geral de Telecomunicações, que transformou o regime público da telefonia fixa em um modelo privado. Com isso, as empresas deixaram de ter obrigação legal de expandir e manter os telefones de uso público. A decisão acompanha a queda acentuada no uso dos orelhões, considerada irreversível pelo setor.
Do total de aparelhos ainda existentes, 88,1% estão ativos e 11,9% em manutenção, segundo os dados mais recentes.
A Oi foi a primeira a concluir a adaptação contratual, ainda em novembro de 2024, e desde então já estava autorizada a retirar os aparelhos não obrigatórios. Já Algar, Claro e Telefônica finalizaram o processo apenas em 2025 e precisaram manter todos os orelhões até 31 de dezembro. Desde 1º de janeiro de 2026, essas empresas também estão liberadas para iniciar a retirada.
Mesmo assim, os contratos determinam que cerca de nove mil orelhões devem permanecer em funcionamento até o fim de 2028, especialmente em regiões onde a cobertura de telefonia móvel ainda é considerada insuficiente.
São Paulo lidera com folga o número de aparelhos: eram 28.810 orelhões em dezembro de 2025, dos quais 96,4% estavam ativos. Na outra ponta, o Espírito Santo registrava apenas 15 unidades. Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também apresentam números cada vez mais reduzidos.
Responsável pelos orelhões em São Paulo, a Telefônica/Vivo informou que a migração para o novo regime encerrou as obrigações relacionadas à manutenção desses equipamentos. O recuo de mais de 90% no uso em cinco anos reforça o caráter simbólico, e não funcional, dos orelhões na atualidade.
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