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Vírus Nipah pode chegar ao Brasil no Carnaval? Veja o que dizem especialistas

Apesar do surto na Índia, especialistas garantem que o Brasil não enfrenta risco iminente de contágio pelo vírus Nipah.  |  Foto: Reprodução/Freepik

Publicado em 12/02/2026, às 08h45   Foto: Reprodução/Freepik   Fernanda Montanha

Um novo surto do vírus Nipah na Índia reacendeu dúvidas nas redes sociais sobre a possibilidade de a doença alcançar o Brasil às vésperas do Carnaval. A preocupação se deve à alta taxa de mortalidade associada ao patógeno e à ausência de vacina ou tratamento específico.

Apesar da apreensão, especialistas afirmam que o cenário atual não indica risco iminente para o país. Pesquisadores apontam que o Brasil não abriga o principal hospedeiro do vírus, os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como raposas voadoras e comuns na Ásia e na África.

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Risco considerado baixo

De acordo com Paulo Eduardo Brandão, professor da USP, a ausência desse reservatório natural reduz significativamente a possibilidade de circulação do vírus em território nacional. Ele também destaca que a transmissão entre pessoas ainda não ocorre de forma eficiente, o que impede que a doença atinja escala pandêmica.

O Ministério da Saúde divulgou nota em 10 negando a existência de casos confirmados no Brasil. A pasta informou que mantém protocolos permanentes de vigilância para agentes altamente patogênicos e reforçou que não há evidências de disseminação internacional com impacto para a população brasileira.

A Organização Mundial da Saúde compartilha avaliação semelhante. Segundo a OMS, o surto recente registrado na Índia está praticamente controlado, o que diminui a probabilidade de expansão para outros continentes neste momento.

Transmissão e sintomas

O Nipah é classificado como zoonótico, podendo ser transmitido de animais para humanos, principalmente por morcegos frugívoros e porcos. Também há registro de contágio por alimentos contaminados e, em menor escala, entre pessoas, sobretudo em ambientes hospitalares, segundo o G1.

Ao infectar o organismo, o vírus pode provocar quadro respiratório agudo e encefalite, caracterizada por inflamação cerebral. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e dores musculares, mas podem evoluir rapidamente para alterações de consciência e complicações neurológicas graves.

Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana, explica que o agente é particularmente agressivo ao sistema nervoso central. A taxa de letalidade pode chegar a 70%, principalmente porque não há medicamento capaz de eliminar o vírus, restando apenas tratamento de suporte clínico.

Diagnóstico e histórico

A confirmação da infecção é feita por exames laboratoriais como RT PCR e testes sorológicos do tipo ELISA, além de técnicas de isolamento viral. Nem todos os infectados apresentam sintomas, mas casos graves podem evoluir para coma e morte.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia. Desde então, Bangladesh registra surtos quase anuais, e a Índia enfrentou episódios relevantes em 2018, 2019 e 2021.

Especialistas observam que a perda de habitat aproxima animais silvestres de áreas urbanas, favorecendo a transmissão. Ainda assim, no contexto atual, o risco para o Brasil é considerado baixo pelas autoridades sanitárias.

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