Política

Vorcaro transferiu controle de empresa de jatinhos em meio a investigações

Venda de 55% da holding Viking ocorreu enquanto Banco Master enfrentava crise e avançavam investigações da Polícia Federal  |  Foto: Divulgação

Publicado em 09/02/2026, às 08h43   Foto: Divulgação   Érica Sena

Dois meses antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu a maior parte do controle da Viking Participações, empresa conhecida por concentrar parte relevante de seu patrimônio, incluindo aeronaves de alto valor.

A operação ocorreu em meio à intensificação das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master, do qual Vorcaro era controlador, como citado pela Folha de São Paulo.

Documentos registrados na Junta Comercial de Minas Gerais indicam que 55% do capital social da Viking foi vendido ao Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Reag, em setembro de 2025.

No mesmo ato, Vorcaro renunciou ao cargo de administrador da empresa, função que passou a ser exercida por Adriano Garzon Corrêa, administrador não sócio.

Empresa reúne aeronaves usadas por Vorcaro

A Viking é uma holding patrimonial criada em 2006 e ficou conhecida por reunir três aeronaves utilizadas pelo ex-banqueiro, entre elas um Falcon 7X, avaliado por investigadores em cerca de R$ 200 milhões.

Foi justamente em um desses jatos que Vorcaro pretendia viajar ao exterior no dia em que acabou preso, em 17 de novembro. Ele foi solto 12 dias depois.

A transferência societária foi formalizada semanas após o Banco Central rejeitar a aquisição do Master pelo BRB e pouco antes da confirmação de um inquérito da Polícia Federal envolvendo a instituição financeira.

Defesa diz que operação ocorreu antes

Em nota enviada à reportagem, a assessoria de Vorcaro afirmou que a venda da participação foi realizada ainda em 2024, e que os registros feitos em 2025 corresponderam apenas a “atos burocráticos e formalizações societárias”. Segundo a defesa, Vorcaro segue como acionista e controlador da Viking e tem colaborado com as autoridades.

Foto: DIvulgação

A Reag, responsável pela administração do fundo Stern, não se manifestou. A gestora é investigada por suposta participação em irregularidades ligadas ao Banco Master e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura a atuação do PCC em setores da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

Histórico de questionamentos

A Viking já aparece como acusada em processo aberto pela CVM em 2020, que apura irregularidades em um fundo imobiliário fechado. A empresa também esteve envolvida em transações imobiliárias que ganharam repercussão no escândalo do Master, como a doação de um apartamento avaliado em R$ 4,4 milhões.

Especialistas apontam que a aquisição de quotas por fundos multiestratégia é legal, mas destacam que a transparência das informações prestadas à CVM é essencial para avaliar a regularidade da operação.

Classificação Indicativa: Livre


TagsBanco Mastervorcaro

Leia também


Vorcaro ofereceu duplex de R$ 30 milhões para modelo da Victoria’s Secret; veja quem


PF faz nova operação: o que se sabe sobre as buscas contra Vorcaro?