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A quarta temporada de Bridgerton, lançada recentemente pela Netflix, conta com mudanças significativas na adaptação de Um Perfeito Cavalheiro, terceiro livro da saga de Julia Quinn.
Ao colocar Benedict Bridgerton no centro da narrativa, a série revisita a clássica estrutura de conto de fadas inspirada em Cinderela, mas escolhe atualizar conflitos e personagens para o público atual. Desde os primeiros episódios, fica claro que a produção não busca uma adaptar inteiramente o livro publicado em 2001.
Embora preserve o núcleo emocional da história, a nova temporada muda elementos que, hoje, poderiam ser vistos como controversos, especialmente nas relações de poder e na construção da protagonista, as informações são do Séries em Cena.
Uma das mudanças mais marcantes está na personagem Sophie. Nos livros, ela se chama Sophie Beckett, é branca, filha ilegítima de um conde e forçada a viver como criada após a morte do pai. Na série, a personagem passa a se chamar Sophie Baek e é interpretada por Yerin Ha, aumentando a diversidade racial no elenco.
A transformação vai além do nome e da aparência. A Sophie da Netflix é apresentada como uma mulher com mais autonomia, opiniões claras e capacidade de decisão.
Em vez de ser definida apenas pela submissão e pela adversidade, ela assume um papel mais ativo em sua própria trajetória, o que torna sua jornada mais coerente com os valores da série.
Outro ponto central das mudanças está em uma das passagens mais criticadas do livro: o momento em que Benedict sugere que Sophie se torne sua amante. Na obra original, a situação carrega uma dinâmica desigual, frequentemente apontada por leitores como problemática.
Na adaptação televisiva, essa abordagem é diferente. A série recontextualiza o conflito, apresentando a atitude de Benedict como um erro emocional e não como um ato de coerção. Não há chantagem nem pressão, o que preserva o drama romântico sem comprometer a empatia do público pelo protagonista.
Com essas mudanças, a quarta temporada de Bridgerton reforça a proposta da Netflix de respeitar o espírito dos livros, mas adaptá-los aos debates atuais sobre consentimento, representatividade e autonomia feminina.
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