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Os sambas-enredo das escolas de samba de São Paulo para o Carnaval 2026 percorrem temas variados, que vão da espiritualidade à história, passando por ancestralidade, questões sociais, meio ambiente e cultura popular.
As propostas revelam diferentes leituras sobre identidade, memória e tradição, compondo um panorama diverso da maior festa popular da cidade, segundo o Metrópoles.
No Grupo Especial, os enredos transitam por narrativas históricas, religiosas e simbólicas. A Mocidade Unida da Mooca aborda o poder feminino a partir da referência aos Gèlèdés, enquanto a Colorado do Brás aposta na figura das bruxas e no resgate do saber feminino ao longo do tempo.
A Dragões da Real apresenta a história das Icamiabas, guerreiras lendárias associadas à força e resistência feminina, e a Tatuapé discute a relação entre terra, alimento e desigualdade social. Os enredos do grupo trazem reflexões que conectam passado, presente e futuro, explorando tanto mitos quanto temas contemporâneos.
A Rosas de Ouro volta o olhar para o universo e os mistérios escritos nas estrelas, enquanto a Vai-Vai revisita a trajetória de um povo heróico ligado à história cultural paulistana.
A Barroca Zona Sul homenageia Oxum, divindade associada à água doce e à prosperidade, e a Império de Casa Verde destaca joias afro-brasileiras como símbolos de identidade e resistência.
Já a Águia de Ouro leva o público a Amsterdã, conectando a cidade europeia à ideia de liberdade, e a Mocidade Alegre narra a trajetória mítica de Malunga Léa. A ancestralidade aparece como eixo central em boa parte dos enredos, especialmente na Gaviões da Fiel e na Estrela do Terceiro Milênio, que exaltam vozes ancestrais e a obra do poeta Paulo Cesar Pinheiro.
Fechando o grupo, a Tom Maior homenageia Chico Xavier, explorando espiritualidade e fé, enquanto a Camisa Verde e Branco aposta no simbolismo de abrir caminhos como metáfora de transformação.
No Grupo de Acesso 1, os enredos dialogam com religiosidade, cultura popular e identidade brasileira. A Camisa 12 exalta princesas Nagô e a herança de Ketu, enquanto a Vila Maria conecta a terra à culinária como expressão cultural.
Tucuruvi propõe uma reflexão sobre o anti-herói brasileiro, e a Mancha Verde aborda ensinamentos ligados a Odu Obará e à humildade. Os temas se apoiam em símbolos culturais para discutir valores coletivos, como mostra também a Nenê de Vila Matilde ao retratar encruzilhadas físicas e simbólicas da cidade.
A Pérola Negra resgata a figura de Maria cangaceira, a Dom Bosco homenageia Mariama como mãe universal, e a Independente Tricolor revisita a primeira festa do mundo por meio do N’goma.
Responsável por abrir os desfiles, o Grupo de Acesso 2 aposta fortemente na ancestralidade e na fé. A Amizade Zona Leste retrata a união de Xangô e Iansã, enquanto a Imperatriz da Paulicéia destaca o congá como espaço sagrado.
A Torcida Jovem celebra o axé e a cultura afro-baiana, e a X-9 Paulistana fala da busca pela terra sem mal. Os enredos reforçam a ligação entre Carnaval, espiritualidade e herança cultural, linha seguida também por Peruche, Morro da Casa Verde e Imperador do Ipiranga.
Encerrando o grupo, a Uirapuru da Mooca homenageia Maria Felipa como heroína da Independência, e a Primeira da Cidade Líder destaca a trajetória criativa de Paulo Barros no Carnaval.
Classificação Indicativa: Livre