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Césio-137: relembre como foram os enterros com medidas extremas das vítimas do desastre

Foto: reprodução/Sergio Marques/Agência O Globo
Minissérie Emergência Radioativa reacende interesse por um dos episódios mais trágicos da história recente do país  |   BNews SP - Divulgação Foto: reprodução/Sergio Marques/Agência O Globo
Ana Caroline Alves

por Ana Caroline Alves

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Publicado em 25/03/2026, às 18h09



O lançamento da minissérie "Emergência Radioativa" trouxe novamente à tona detalhes impactantes do Acidente com Césio-137 em Goiânia, considerado o maior desastre radioativo do mundo fora de uma usina nuclear.

Entre os aspectos mais marcantes da tragédia estão os enterros das vítimas, realizados sob protocolos rigorosos para evitar uma contaminação ainda maior, as informações são do O Globo.

Sepultamentos exigiram caixões de chumbo e isolamento total

As primeiras vítimas fatais da contaminação foram Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos, e Maria Gabriela Ferreira. Ambas tiveram contato direto com o material radioativo, o que levou a um quadro grave de contaminação.

Devido ao alto risco, os enterros seguiram protocolos inéditos no Brasil. Os corpos foram colocados em caixões revestidos com chumbo, com cerca de 600 kg, projetados para impedir a liberação de radiação no ambiente. No caso de Leide, o corpo ainda foi envolvido em múltiplas camadas de material protetor antes do sepultamento.

Além disso, os túmulos receberam uma camada extra de concreto, com aproximadamente 30 centímetros de espessura, selando completamente o local e reduzindo qualquer possibilidade de contaminação do solo e do entorno.

Medo da população gerou tensão e protestos

O momento dos enterros foi marcado por forte comoção e também por medo generalizado. Moradores próximos ao cemitério temiam que a radiação pudesse se espalhar, o que provocou protestos e tumultos durante as cerimônias.

Não houve velório tradicional, e familiares tiveram acesso limitado às despedidas. Os caixões permaneceram lacrados, com visores especiais, impossibilitando o contato direto com os corpos, uma medida necessária diante do risco biológico.

cesio 137
Foto: reprodução/Sergio Marques/O Globo

Tragédia deixou milhares de afetados

O acidente começou quando uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado e acabou sendo manipulada sem qualquer proteção. O material, que emitia um brilho azulado, atraiu a atenção de moradores, espalhando a contaminação.

Segundo dados de associações de vítimas, cerca de 1,6 mil pessoas foram afetadas direta ou indiretamente pela radiação. O episódio mobilizou autoridades, cientistas e profissionais da saúde em uma corrida contra o tempo para conter os danos.

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