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O lançamento de cenas da quinta temporada de Stranger Things reacendeu uma discussão cada vez mais frequente no audiovisual: o impacto psicológico do rejuvenescimento digital em atores conhecidos. A técnica, usada para tornar personagens mais jovens por meio de computação gráfica e inteligência artificial, foi aplicada em Will Byers, vivido por Noah Schnapp, e gerou reações divididas entre os fãs.
O conceito de vale inquietante (uncanny valley) descreve a reação negativa que ocorre quando algo se aproxima muito da aparência humana, mas ainda apresenta pequenas imperfeições perceptíveis. Segundo a psicóloga Dannielle Haig, o cérebro humano é altamente treinado para reconhecer microexpressões faciais, movimentos dos olhos e variações mínimas na musculatura do rosto.
Quando esses sinais não se alinham perfeitamente, como uma pele excessivamente lisa, um olhar pouco responsivo ou uma sincronia estranha entre fala e expressão, o cérebro identifica uma inconsistência, as informações são do Correio Braziliense.
No caso de Stranger Things, o impacto do rejuvenescimento digital é maior por um fator emocional: o público acompanhou o crescimento real dos atores ao longo de quase uma década. Existe uma memória visual de Noah Schnapp em diferentes fases da adolescência, o que torna qualquer tentativa de “retroceder no tempo” mais evidente.
Quando o espectador vê um Will supostamente mais jovem, mas percebe traços sutis da maturidade atual do ator, acontece um choque entre expectativa e percepção. Esse conflito reforça a sensação de artificialidade e aprofunda o efeito do vale inquietante.
Do ponto de vista da psicologia cognitiva, o cérebro funciona com modelos mentais estáveis. Ele “aprende” como uma pessoa deve parecer ao longo do tempo, e qualquer imagem que fuja desse padrão precisa disputar espaço com memórias já consolidadas.
Além disso, rostos digitalmente alterados tocam em questões simbólicas profundas, como envelhecimento, finitude e controle do corpo. Um rosto que parece jovem, mas se move de forma pouco natural, quebra regras da experiência humana, e é exatamente essa quebra que provoca a sensação de algo “errado”, mesmo que o espectador não saiba explicar o motivo.
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