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Os cinemas brasileiros receberam em 1º de janeiro um dos dramas mais comentados (e com título mais longo) da temporada: "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria". Dirigido por Mary Bronstein, o longa-metragem chama atenção não apenas pela força da narrativa e pela atuação premiada de Rose Byrne, mas também pelo nome curioso.
Na trama, Byrne vive Linda, uma mulher no limite emocional. Forçada a se mudar para um motel, ela enfrenta simultaneamente a doença inexplicável da filha, a ausência do marido e a deterioração literal de sua casa. Sem apoio efetivo, nem mesmo de um terapeuta hostil, a personagem mergulha em um isolamento marcado por frustração, desespero e uma busca quase desesperada por validação.
Segundo informações divulgadas pelo Ingresso.com, o filme vem sendo celebrado pela crítica especializada, especialmente pela performance de Byrne, que lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Berlim e consolidou o longa como um dos destaques do circuito internacional.
O título do filme, longe de oferecer pistas óbvias sobre a história, foi pensado justamente para provocar o espectador. Em entrevista recente, Mary Bronstein explicou que a ideia nunca foi criar um enigma a ser decifrado, mas um convite à experiência pessoal. Para a diretora, qualquer interpretação é válida, desde que nasça do envolvimento emocional com a obra.
Ela defende que filmes, assim como poemas ou músicas, não precisam de respostas fechadas. O sentido surge a partir da relação de quem assiste com aquilo que está sendo mostrado na tela.
Bronstein também revelou que o título carrega uma origem simbólica ligada a uma vivência pessoal. Em uma conversa com seu terapeuta, ouviu que “ninguém quer abraçar um porco-espinho”, ao se queixar da falta de acolhimento mesmo em momentos de dor.
A reflexão deu origem a um paralelo direto com Linda: alguém que precisa de ajuda, mas que, ao mesmo tempo, não quer (ou não consegue) mudar quem é para recebê-la.
Produzido pela A24 em parceria com Bronxburgh, Central Pictures e Fat City, o longa conta ainda com nomes como Christian Slater, Conan O’Brien, A$AP Rocky, Delaney Quinn e a própria Mary Bronstein no elenco. Além da direção, a cineasta também assina o roteiro, reforçando o caráter autoral da obra.
Classificação Indicativa: Livre