Farinha Lima
Uma turma do jurídico baiano vinha atuando forte na crise do Master. Três cabeças pensavam a estratégia da condução do compliance e na parte legal do processo do combalido banco.
Passado o carnaval, o trio que não era elétrico sumiu do mapa e agora as autoridades estão pesquisando seus paradeiros. Uns na Europa e outros malhando em um clube marítimo de Salvador. Dizem que o icônico Corredor da Vitória guarda segredos Masters da turmicha Jus.
Na cidade onde engarrafamento é para quem anda sobre rodas, o zumbido dos helicópteros na Faria Lima virou trilha sonora involuntária da vizinhança e acabou aterrissando no Ministério Público, embalado por abaixo-assinado e pelo perfil “Chega de Helicópteros SP”.
O que era conversa de condomínio ganhou contorno institucional, com direito a Lei nº 15.723, EIV e até RBAC 155 da ANAC entrando na roda, como se decibéis também precisassem de parecer técnico. No fim, o impasse é simples e barulhento: enquanto executivos encurtam distâncias pelo céu, moradores tentam alongar o silêncio, e descobrem que progresso, quando vem de hélice, não costuma pedir licença.
No roteiro que mistura SUS, mercado financeiro e investigação criminal, a Insight Participações ofereceu R$ 30 milhões para viabilizar a compra de imunoglobulina quando os bancos preferiram manter distância, apostando em um contrato de R$ 87,6 milhões com direito a Selic e 85% do lucro líquido como recompensa.
A carga chegou, a Anvisa barrou por falha na temperatura, o Ministério da Saúde cancelou o negócio e o castelo financeiro derreteu antes de virar pagamento. Dois anos depois, a Operação Carbono Oculto fez buscas na Faria Lima e trouxe à tona conexões familiares e societárias pouco republicanas, provando que, por aqui, até remédio pode atravessar uma cadeia de intermediações onde o único efeito garantido é a suspeita.
Em Brasília, no encerramento da 6ª Conferência Nacional das Cidades, Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de avisar que não deve nada aos banqueiros da Faria Lima, empresários ou latifundiários — sua conta, garantiu, é exclusiva com o povo.
De quebra, relembrou o impeachment de Dilma Rousseff, criticou governos que “acabaram com ministérios” e tratou 2026 como quem já confere o calendário na parede, alertando para o risco de alguém “destruir” o que foi feito.
Ainda houve tempo para cutucar Romeu Zema por não apresentar projetos para acessar recursos do Novo PAC em Minas Gerais, bastava protocolar a documentação, explicou o ministro Jader Filho. No discurso, independência absoluta; no subtexto, campanha em fase de aquecimento.
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