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Seu roteador pode “enxergar” você? Entenda o que diz a nova pesquisa

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Embora não substitua câmeras, o Wi-Fi Sensing opera em ambientes escuros e pode atravessar barreiras físicas.  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/Freepik
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 19/02/2026, às 07h00



Roteadores domésticos podem desempenhar um papel mais amplo do que apenas distribuir internet. Um estudo da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara apontou que sinais de Wi Fi conseguem mapear ambientes internos e até identificar objetos estáticos atrás de paredes.

A pesquisa indica que ondas de rádio podem ser analisadas para reconstruir cenários sem uso de câmeras.

O método, chamado de Wi-Fi Sensing, transforma equipamentos comuns em uma espécie de radar residencial. A constatação reacende discussões sobre privacidade, já que amplia as possibilidades de monitoramento dentro de casa sem captação visual direta, segundo o TechTudo.

Foto:Reprodução/Freepik
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Como o Wi-Fi Sensing funciona

Diferente de câmeras ou sensores infravermelhos, a técnica se baseia nas pequenas alterações que pessoas e objetos provocam nas ondas de rádio. Essas variações são examinadas por meio de dados como o Channel State Information, conhecido como CSI. A análise desses padrões permite detectar presença e movimento mesmo sem imagens.

As ondas utilizadas para transmitir dados se espalham pelo ambiente e sofrem interferências ao atingir paredes, móveis e indivíduos. Quando algo se desloca, as reflexões mudam de forma sutil, e softwares específicos conseguem interpretar essas mudanças.

O especialista Fabio Noronha, Diretor da Segurança da Informação da Evertec no Brasil, explica que o monitoramento depende da leitura contínua dessas oscilações. Já Wally Niz, Diretor da Navita Enghouse, compara o sistema a um sonar, em que o sinal reflete ao encontrar obstáculos.

Comparação com outras tecnologias

O chamado radar por Wi Fi não substitui câmeras tradicionais, mas apresenta características próprias. Sensores infravermelhos exigem linha de visão e dependem de calor corporal. Câmeras oferecem alto detalhamento, porém levantam preocupações maiores quanto à exposição de imagens.

O Wi Fi Sensing pode operar no escuro e, em alguns casos, atravessar barreiras físicas, embora não entregue o mesmo nível de definição visual. A eficiência varia conforme o roteador, o número de antenas e o software empregado.

Em termos de custo, pode ser uma alternativa mais acessível para detectar presença em ambientes fechados. Ainda assim, não se trata de um sistema completo de vigilância convencional.

É possível ser rastreado

A possibilidade de monitoramento preocupa usuários, mas especialistas afirmam que o risco é reduzido em redes bem configuradas. Para que um invasor utilize o roteador como ferramenta de vigilância, seria necessário acesso administrativo indevido ou exploração de falhas.

Em redes protegidas com senha forte e firmware atualizado, o monitoramento remoto não é simples de ser executado. Contudo, há atenção quanto ao uso de dados por empresas e provedores, que podem ter acesso técnico aos dispositivos.

Como reforçar a proteção

A segurança começa com criptografia robusta, como WPA3, e atualização constante do firmware. Também é recomendável desativar funções que não são utilizadas, como WPS e acesso remoto ao painel.

Monitorar dispositivos conectados e separar aparelhos de automação da rede principal são práticas indicadas. Manter controle direto sobre o roteador e suas configurações reduz riscos de uso indevido da tecnologia.

Classificação Indicativa: Livre

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