Polícia
A delegada de polícia Layla Lima Ayub, recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, foi presa na manhã desta sexta-feira (16) sob suspeita de manter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Pará.
Segundo o MPSP, a delegada teria mantido vínculos pessoais e profissionais com integrantes da facção criminosa, mesmo após assumir o cargo público. As investigações indicam que ela atuava de forma irregular em favor de membros do PCC, inclusive exercendo a função de advogada durante audiências de custódia, o que é vedado após a posse como delegada, como citado pelo site Metrópoles.
De acordo com a promotoria, Layla Lima Ayub teria continuado a prestar assistência jurídica a investigados ligados a organizações criminosas, apesar de já integrar os quadros da Polícia Civil. Essa conduta, além de incompatível com o cargo, levantou suspeitas sobre possível colaboração com o crime organizado.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o caso evidencia a tentativa de infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.
Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido.
A Operação Serpens cumpriu sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará. Além da delegada, também foi expedido mandado de prisão temporária contra um integrante do PCC que estava em liberdade condicional. O objetivo da ação foi reunir provas sobre a suposta rede de colaboração entre agentes públicos e membros da facção.
As investigações seguem em andamento para apurar a extensão dos vínculos e identificar outros possíveis envolvidos. O MPSP não descarta novos desdobramentos nem a ampliação das diligências.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que acompanha o caso e que medidas administrativas serão adotadas conforme o avanço das apurações. A delegada poderá responder tanto na esfera criminal quanto administrativa, podendo perder o cargo em caso de condenação.
O episódio reacende o debate sobre os mecanismos de controle interno e a importância da atuação dos órgãos de inteligência no combate à corrupção e à infiltração do crime organizado no serviço público.
Classificação Indicativa: Livre