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Familiares de pacientes internados no Hospital Santa Marcelina de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, denunciam uma série de problemas estruturais e assistenciais na unidade, que atende majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
As queixas envolvem superlotação, escassez de profissionais, pacientes acomodados em áreas improvisadas e até cirurgias canceladas por falta de médicos anestesistas.
Os relatos ganharam força após familiares registrarem imagens e depoimentos que mostram pacientes em condições consideradas inadequadas, aguardando atendimento em corredores e salas de espera adaptadas, sem o suporte necessário para quadros graves, as informações são do G1.
Um dos casos é o de Larissa, que permanece internada desde o parto da filha, Maria Clara, hoje com quase cinco meses. Segundo a família, a gestação ocorreu sem problemas, mas, após receber alta, Larissa passou mal e retornou ao hospital, onde foi diagnosticada com uma perfuração intestinal.
A paciente chegou a ficar 16 dias na UTI e, depois, foi transferida para a chamada “sala verde”, espaço destinado a pacientes que aguardam liberação de leitos.
A mãe da paciente, Amanda Fidelis, relata que a filha não consegue conviver com a bebê desde o nascimento. Outras famílias relatam situações semelhantes. Kátia Santos, mãe de uma paciente em tratamento oncológico, afirma que a filha passou 13 horas em uma maca do Samu, no corredor do pronto-socorro, sem acesso a uma cama hospitalar adequada.
Fundado em 1961, o Hospital Santa Marcelina de Itaquera é uma instituição filantrópica administrada pela Congregação das Irmãs de Santa Marcelina.
Desde 1998, mantém contrato com o governo estadual para atendimento público, e cerca de 90% dos atendimentos são feitos pelo SUS. Desde 2023, a unidade recebe aproximadamente R$ 156 milhões por ano do governo do estado.
Em nota, o hospital afirmou que o parto de Larissa ocorreu sem intercorrências e que não houve falha na assistência, destacando que as complicações posteriores foram tratadas e seguem em acompanhamento.
A direção também informou que recebe, mensalmente, centenas de pacientes encaminhados sem aviso prévio, o que contribui para a sobrecarga, e que as equipes atuam dentro da capacidade contratada, apesar da alta demanda.
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