Polícia
O Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), a Operação Fisco Paralelo. A ação, conduzida pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos, cumpre mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos.
As investigações apuram um possível sistema estruturado de corrupção ligado à manipulação irregular de créditos de ICMS no estado. Há suspeitas de pagamento de vantagens indevidas e práticas de lavagem de dinheiro envolvendo servidores públicos.
Entre os investigados estão funcionários vinculados à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Ao menos 16 alvos possuem ligação direta com o órgão, além de uma executiva de empresa privada, segundo informações divulgadas pelo Ministério Público.
No total, foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão. As diligências incluem endereços residenciais e locais associados aos investigados, conta o G1.
Entre os pontos visitados estão imóveis em áreas valorizadas. Um condomínio de alto padrão em Tamboré e endereços no bairro de Moema estão entre os principais alvos da operação, com concentração de investigados na capital.
As ações também envolvem servidores distribuídos em diferentes setores da Secretaria da Fazenda, incluindo delegacias regionais tributárias e áreas de fiscalização.
A Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, iniciada em 2025. A fase anterior apurou desvios relacionados a créditos tributários envolvendo empresas como Ultrafarma e Fast Shop.
O avanço da nova etapa ocorreu após novas evidências surgirem durante as apurações. A ampliação das investigações indicou um esquema ainda mais abrangente dentro da estrutura da Secretaria da Fazenda, segundo os promotores.
Um dos pontos centrais da apuração envolve a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, apontada como peça-chave na organização investigada.
De acordo com o MP, os investigados ocupavam cargos estratégicos no órgão estadual. Entre eles estão agentes fiscais, inspetores e delegados regionais tributários.
Esses profissionais atuavam em diferentes unidades administrativas. A apuração indica a possível atuação coordenada dentro de múltiplos setores do Fisco estadual, o que reforça a suspeita de organização criminosa estruturada.
A investigação também aponta o auditor Artur Gomes da Silva Neto como figura relevante no núcleo do esquema.
A operação conta com o suporte de outros órgãos, como o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o CyberGaeco e a Polícia Militar de São Paulo.
O objetivo das buscas é reunir provas que ajudem a esclarecer o funcionamento do esquema. As autoridades buscam documentos, arquivos digitais e outros materiais que possam aprofundar as investigações, além de identificar todos os envolvidos.
Até o momento, não há um cálculo fechado sobre o prejuízo causado. Ainda assim, os promotores indicam que os valores envolvidos podem superar cifras já apuradas em fases anteriores.
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