Polícia

Mulher negra acusada de furto em farmácia de SP será indenizada; entenda o caso

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Justiça reconheceu viés racial em abordagem feita por funcionária da Drogasil em Guarulhos; rede alegou “mero aborrecimento cotidiano”  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Érica Sena

por Érica Sena

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Publicado em 13/01/2026, às 10h20



Uma mulher negra será indenizada em R$ 15 mil por danos morais após ter sido acusada injustamente de furto por uma funcionária de uma unidade da Drogasil, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A decisão, proferida pela 5ª Vara Cível do município, reconheceu que a abordagem foi indevida, resultou em humilhação pública e teve caráter discriminatório racial.

O episódio ocorreu em setembro de 2023, mas a sentença foi publicada na última quarta-feira (7). Segundo os autos, a mulher entrou na farmácia acompanhada de uma amiga para utilizar a balança e medir a pressão arterial. Ao se dirigir à saída, foi abordada de forma abrupta por uma funcionária, que a acusou de ter furtado produtos do estabelecimento, como citado pelo G1.

Abordagem e constrangimento

De acordo com o processo, a funcionária determinou que a cliente fosse levada até os fundos da loja, afirmando que o suposto furto teria sido registrado pelas câmeras de segurança. Mesmo negando a acusação, a mulher foi pressionada a provar sua inocência e acabou esvaziando toda a bolsa no chão, diante de outras pessoas.

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A Polícia Militar foi acionada e constatou que nenhuma mercadoria havia sido subtraída. As imagens das câmeras de segurança confirmaram a versão da vítima. O constrangimento, segundo o relato, gerou impactos profundos em sua rotina.

Não passo nem na avenida com vergonha. Evito até pegar o ônibus do mesmo lado da farmácia.

Defesa da empresa e decisão judicial

Em contestação, a Raia Drogasil sustentou que não houve conduta ilícita e classificou o episódio como “mero aborrecimento cotidiano”, alegando que a fiscalização teria ocorrido de forma discreta e sem tratamento vexatório. A empresa não se manifestou após novo contato da reportagem.

Na sentença, o magistrado afirmou ser incontroverso que houve abordagem por suspeita de furto e destacou que as provas demonstraram a total ausência de fundamento da acusação. O juiz aplicou o protocolo de julgamento com perspectiva racial, conforme diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os advogados da vítima afirmaram que desde a petição inicial o caso foi tratado a partir da dimensão racial. Segundo eles, a decisão representa um avanço ao reconhecer o racismo como elemento central da violência sofrida. “Racismo não é um debate abstrato. Ele atravessa vidas reais e exige preparo e responsabilidade”, concluíram.

Classificação Indicativa: Livre

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