Polícia
A Polícia Técnico-Científica de São Paulo produziu cerca de 24 laudos em menos de um mês para auxiliar a Polícia Civil de São Paulo na apuração da morte da policial militar Gisele Alves Santana. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no bairro do Brás, na capital paulista.
O inquérito foi concluído na terça-feira (17), com o indiciamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto por feminicídio e fraude processual. A investigação deixou de tratar o caso como suicídio após a análise detalhada de evidências técnicas, que indicaram inconsistências na versão inicial.
A delegacia responsável também solicitou a prisão do oficial. Paralelamente, a Corregedoria da PM fez pedido semelhante na esfera da Justiça militar, ainda sem decisão até o momento.
Parte fundamental da conclusão veio do trabalho do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal. Os exames geraram cerca de 70 páginas de conteúdo técnico, com análises complementares e revisões solicitadas ao longo da investigação.
Especialistas ouvidos consideraram o volume de laudos elevado para casos semelhantes. A produção quase diária de perícias reflete a complexidade do caso e a necessidade de esclarecer dúvidas, principalmente após divergências iniciais.
Entre os elementos mais relevantes estão a trajetória do disparo e a profundidade das lesões. Esses dados sustentaram a conclusão de que não se tratava de suicídio, segundo o G1.
Diversos testes contribuíram para o entendimento da dinâmica do crime. O laudo necroscópico indicou marcas no pescoço da vítima e apontou que ela pode ter desmaiado antes do disparo.
A análise da trajetória da bala mostrou que o tiro foi efetuado de baixo para cima, com a arma encostada na cabeça. Essas características são consideradas incompatíveis com a hipótese de autoextermínio, segundo a investigação.
Outros exames também foram determinantes. O toxicológico descartou consumo de álcool ou drogas, enquanto o residuográfico não identificou vestígios de pólvora nas mãos da vítima ou do suspeito.
A perícia no local indicou ainda que Gisele foi encontrada segurando a arma, situação considerada incomum em casos de suicídio. Exames com luminol revelaram vestígios de sangue em diferentes pontos do imóvel.
Outros aspectos também chamaram a atenção dos investigadores. O intervalo de 29 minutos entre o disparo e o pedido de socorro foi considerado relevante para a análise do caso.
Além disso, o oficial afirmou que estava no banho no momento do tiro, mas foi encontrado seco pelos socorristas. O comportamento após o ocorrido levantou questionamentos e passou a integrar a linha investigativa, junto a outros indícios.
Imagens de câmeras registraram a presença de um desembargador no local antes de o oficial tomar banho, contrariando orientações iniciais dadas por policiais.
A versão apresentada pelo tenente-coronel sustenta que a vítima teria tirado a própria vida após uma discussão. Ele afirmou que ouviu o disparo enquanto estava no banheiro e encontrou a esposa ferida na sala.
Familiares, no entanto, contestaram essa narrativa e apresentaram materiais à polícia. Depoimentos e mensagens indicaram a existência de um relacionamento abusivo, com episódios de controle e restrições impostas à vítima.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo também instaurou um inquérito interno para apurar denúncias envolvendo o comportamento do oficial. As investigações seguem em andamento.
Classificação Indicativa: Livre