Polícia
O domingo de pré-Carnaval no centro de São Paulo terminou em confusão, grades derrubadas e pessoas passando mal na Rua da Consolação. A concentração excessiva de foliões no desfile do Bloco Skol, que teve show do DJ Calvin Harris, levou o Ministério Público de São Paulo a instaurar um procedimento para apurar possíveis falhas no planejamento e na segurança do evento, segundo informações do Metrópoles.
O tumulto ocorreu no encontro de dois grandes blocos no mesmo trecho da via: o Acadêmicos do Baixo Augusta, tradicional e conhecido por arrastar multidões há mais de uma década, e o Bloco Skol, estreante no Carnaval paulistano e organizado pela patrocinadora Ambev.
A junção dos públicos provocou empurra-empurra, derrubada de grades da Escola Paulista de Magistratura (EPM) e a invasão de áreas usadas como rota de escape.
Antes mesmo do Carnaval, moradores da região e parlamentares já demonstravam preocupação com a decisão de concentrar dois megablocos no mesmo dia e local. A vereadora Marina Bragante (REDE) questionou a prefeitura sobre o risco de superlotação, citando a popularidade dos artistas e a possibilidade de uma dispersão caótica.
A SPTuris afirmou que havia planejamento para horários e pontos de saída distintos, além de isolamento de fachadas. Na prática, porém, a ausência de proteção em áreas sensíveis acabou facilitando danos e invasões, como no caso da EPM, que informou que foliões usaram o espaço como saída de emergência.
View this post on Instagram
Em outro ponto da Consolação, foliões entraram no quartel do Corpo de Bombeiros para escapar da pressão da multidão. Relatos nas redes sociais apontam que a Polícia Militar teria usado spray de pimenta e força para retirar as pessoas do local.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que não houve invasão e que cerca de 30 pessoas foram atendidas sem necessidade de encaminhamento médico, mas não esclareceu se houve uso de spray.
A superlotação atrasou e impactou o início do desfile do Baixo Augusta. A organização do bloco classificou o episódio como um desrespeito à sua história. Para Marina Bragante, o problema não foi logístico, mas uma escolha política que ignorou a segurança e o bem-estar dos foliões.
Apesar dos episódios, o prefeito Ricardo Nunes classificou o pré-Carnaval como um sucesso e atribuiu a superlotação exclusivamente à popularidade dos artistas.
A Polícia Militar registrou 12 ocorrências no dia, incluindo furtos, agressões e prisões, e orientou o público a evitar a região após o tumulto.
Classificação Indicativa: Livre