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A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou neste domingo (3) ao menos 3 mortes relacionadas a um possível surto de hantavírus em um cruzeiro no Oceano Atlântico. O navio MV Hondius fazia o trajeto entre a Argentina e Cabo Verde quando os casos foram identificados.
Até o momento, 1 infecção foi confirmada e outros 5 casos seguem sob investigação. Segundo a OMS, novos exames laboratoriais ainda estão em andamento para esclarecer a origem e a extensão do surto.
O caso chamou atenção por envolver uma embarcação em rota internacional e reacendeu dúvidas sobre a transmissão e os riscos da doença, segundo o G1.
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores. A contaminação humana costuma acontecer pela inalação de partículas presentes no ar vindas de fezes, urina ou saliva seca desses animais.
Embora menos comum, a transmissão também pode ocorrer por mordidas ou arranhões. Nos Estados Unidos, o CDC aponta que o vírus pode provocar a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), que começa com febre, fadiga e dores musculares.
Com a evolução do quadro, surgem dificuldades respiratórias e a situação pode se tornar grave. Quando há comprometimento pulmonar, a taxa de mortalidade pode chegar a 38%, segundo o órgão.
No Brasil, a manifestação mais conhecida é a Síndrome Cardiopmonar por Hantavírus (SCPH), que pode evoluir com problemas respiratórios e cardiovasculares severos.
Outra forma grave da doença é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais frequente na Europa e Ásia e com impacto direto sobre os rins.
Estimativas apontam cerca de 150 mil casos anuais dessa síndrome no mundo, com mais da metade concentrada na China.
No Brasil, entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos confirmados de hantavirose. Desse total, 937 resultaram em morte. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% das infecções ocorreram em áreas rurais.
Não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é voltado ao controle dos sintomas e pode incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, antivirais e até diálise, dependendo da gravidade.
Em situações mais críticas, o paciente pode precisar de internação em UTI e suporte respiratório intensivo.
A principal forma de prevenção é evitar contato com roedores. Também é recomendado vedar acessos em casas, usar proteção ao limpar locais com fezes desses animais e impedir a exposição ao ar contaminado.
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