Política

Cantareira fecha verão em nível crítico e acende alerta para abastecimento em SP

Foto: Pablo Jacob/GESP
Com chuvas abaixo da média, principal sistema hídrico da Grande São Paulo opera com menos de 50% e pode enfrentar novas restrições até setembro  |   BNews SP - Divulgação Foto: Pablo Jacob/GESP
Ana Caroline Alves

por Ana Caroline Alves

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Publicado em 28/03/2026, às 16h34



O Sistema Cantareira encerrou o período chuvoso em situação preocupante, registrando um dos piores níveis dos últimos dez anos. Mesmo após o verão — tradicionalmente marcado por maior volume de chuvas — o sistema não conseguiu se recuperar e opera atualmente com apenas 44% da capacidade.

Responsável por abastecer cerca de 8 milhões de pessoas na São Paulo e região metropolitana, o Cantareira entra agora no período seco, que vai até setembro, com um volume considerado insuficiente para garantir tranquilidade no fornecimento de água, as informações são do g1.

Chuvas abaixo da média agravam cenário hídrico

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicam que o verão de 2026 teve cerca de 15% menos chuva do que o esperado. A previsão inicial era que o sistema atingisse aproximadamente 40% de capacidade — o que se confirmou, mas ainda está longe de um cenário confortável.

Especialistas alertam que, caso o padrão de estiagem se mantenha, o volume pode cair para cerca de 25% até setembro, intensificando o risco de crise hídrica.

Esse cenário reforça uma preocupação crescente: a possibilidade de a região enfrentar períodos frequentes de escassez, deixando de ser um evento pontual para se tornar uma condição recorrente.

Redução no abastecimento já impacta a população

Para preservar os reservatórios, medidas de contenção já estão em vigor. A diminuição da pressão da água durante a noite, conhecida como gestão de demanda, segue sendo aplicada para reduzir o consumo.

Na prática, isso significa menos água disponível diariamente. Em condições normais, o sistema distribuiria cerca de 2,85 bilhões de litros por dia. Atualmente, esse número caiu para aproximadamente 2,33 bilhões, uma redução significativa que pode afetar principalmente regiões mais altas e periféricas.

Se o nível cair ainda mais, a retirada de água pode ser reduzida novamente, ampliando o impacto no abastecimento.

Desafio vai além da falta de chuva

Especialistas destacam que o problema não está apenas no volume de chuvas, mas também na gestão dos recursos hídricos. Um dos pontos críticos é o desperdício: segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 30% da água tratada se perde na distribuição antes de chegar à população.

Diante desse cenário, a necessidade de mudanças estruturais se torna urgente. Melhorias na infraestrutura, redução de perdas e uso mais consciente da água são medidas essenciais para enfrentar um futuro cada vez mais desafiador no abastecimento da região.

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