Política

De aliados a rivais: como nasceu a tensão entre EUA e Irã

Foto: Reprodução/ BBC
Golpes políticos, revolução, crise diplomática e disputa nuclear transformaram EUA e Irã, antigos parceiros em adversários estratégicos ao longo de décadas  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/ BBC
Nathalia Quiereguini

por Nathalia Quiereguini

[email protected]

Publicado em 03/03/2026, às 15h14



Durante boa parte do século 20, a relação entre Estados Unidos e Irã era marcada por cooperação política e interesses estratégicos em comum.

O país do Oriente Médio era visto por Washington como um aliado importante em uma região considerada sensível do ponto de vista geopolítico.

No entanto, uma sequência de acontecimentos históricos mudou completamente esse cenário e transformou a parceria em uma rivalidade que persiste até hoje, segundo a Revista Galileu.

A deterioração dessa relação não aconteceu de forma repentina. Pelo contrário, foi resultado de décadas de decisões políticas, disputas internas no Irã e conflitos indiretos que alimentaram desconfiança entre os dois governos.

Interferência política e aumento da desconfiança

Um dos episódios mais citados quando se fala na origem dessa tensão aconteceu na década de 1950.

Naquele período, o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh defendia a nacionalização da indústria petrolífera do país, medida que afetava diretamente interesses estrangeiros.

A reação internacional foi rápida. Em 1953, um golpe apoiado por serviços de inteligência ocidentais derrubou Mossadegh e fortaleceu o poder do xá Mohammad Reza Pahlavi, governante alinhado aos Estados Unidos.

O regime monárquico passou então a manter relações próximas com Washington.

Apesar disso, parte da população iraniana passou a enxergar a presença americana como uma interferência direta nos assuntos internos do país.

Esse sentimento de desconfiança cresceu ao longo dos anos e se tornaria um elemento importante nos eventos que aconteceriam décadas depois.

Foto: Reprodução/ Editoria UNESP
Crise diplomática, revolução e disputas nucleares ajudaram a transformar a relação entre EUA e Irã em uma das rivalidades mais tensas da política internacional / Foto: Reprodução/ Editoria UNESP

A revolução que mudou o rumo do país

No final da década de 1970, o cenário político iraniano entrou em ebulição.

Protestos envolvendo diferentes grupos sociais, religiosos, estudantes, trabalhadores e opositores políticos, ganharam força e levaram à queda da monarquia.

Em 1979, o líder religioso Ruhollah Khomeini assumiu protagonismo no processo revolucionário e instaurou a República Islâmica do Irã.

O novo regime passou a adotar um discurso fortemente crítico à influência ocidental, especialmente aos Estados Unidos.

Esse momento marcou uma virada decisiva na relação entre os dois países. O novo governo iraniano buscava se distanciar da política externa anterior e reforçar sua autonomia frente às potências ocidentais.

Crise diplomática e ruptura oficial

Ainda em 1979, outro episódio agravou definitivamente a situação: estudantes iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã e fizeram dezenas de diplomatas reféns.

A crise durou mais de um ano e teve enorme repercussão internacional. O episódio levou ao rompimento formal das relações diplomáticas entre os dois países e inaugurou um longo período de sanções econômicas e tensões políticas.

Desde então, Estados Unidos e Irã passaram a se enfrentar também por meio de disputas indiretas, principalmente em conflitos no Oriente Médio.

Disputa nuclear e rivalidade regional

Nas últimas décadas, outro ponto central da rivalidade passou a ser o programa nuclear iraniano.

Países ocidentais acusam Irã de buscar desenvolver armas nucleares, enquanto o governo iraniano afirma que o programa tem objetivos civis e energéticos.

A discussão envolve negociações internacionais, sanções econômicas e operações militares indiretas.

Ao mesmo tempo, o Irã ampliou sua influência em diferentes áreas do Oriente Médio, apoiando grupos aliados e disputando espaço político na região.

Hoje, a relação entre Estados Unidos e Irã continua marcada por desconfiança mútua e interesses estratégicos conflitantes.

Analistas apontam que o histórico de intervenções, revoluções e crises diplomáticas criou um ambiente difícil de reverter, mantendo o confronto entre os dois países como um dos temas mais delicados da política internacional

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp