Política
São Paulo, a maior metrópole do Brasil, combina avanços significativos na redução da violência letal com desafios persistentes ligados a crimes patrimoniais. Embora o índice de homicídios esteja entre os menores do país, assaltos e furtos seguem em alta e moldam a sensação de insegurança da população.
Uma investigação da Gazeta do Povo analisou dados da Secretaria de Segurança Pública, reunindo números de 2022, 2023 e parte de 2024. O estudo organizou os bairros mais seguros da cidade em um ranking, considerando apenas crimes de maior impacto.
O levantamento apontou que regiões periféricas superaram áreas nobres quando o assunto é segurança.
Para compor a lista, foram considerados três tipos de crimes: homicídios e latrocínios (peso 3), assaltos (peso 2) e furtos de veículos (peso 1). Registros de furtos simples foram descartados, evitando que pequenas ocorrências alterassem a análise.
A metodologia deixou claro: quanto menor a quantidade de crimes graves, maior a nota do distrito.
Na liderança está o Belém, na Zona Leste, que registrou apenas seis homicídios, nenhum latrocínio e média de um roubo por dia. Logo atrás aparece o Jardim Robru, também na zona leste, reforçando que o nível de segurança não está diretamente ligado ao poder aquisitivo da população.
Enquanto isso, distritos valorizados como Pinheiros e Consolação apareceram entre os mais vulneráveis em assaltos, com milhares de ocorrências por 100 mil habitantes. Já bairros como Ermelino Matarazzo e Perus apresentaram índices significativamente menores.
De acordo com a urbanista Loyde Abreu-Harbich, locais com forte senso comunitário e ruas constantemente movimentadas tendem a inibir crimes. Já regiões com fluxo intenso de consumidores e alto valor econômico atraem mais furtos e roubos.
O urbanismo também desempenha papel importante. Falta de iluminação, áreas pouco vigiadas e “pontos cegos” ampliam as oportunidades para criminosos. Para o tenente-coronel da PM Luiz Fernando Aguiar, há ainda o fator do crime organizado, que em alguns territórios pode “regular” furtos e roubos para evitar chamar atenção da polícia.
Atualmente, São Paulo ostenta 4,5 homicídios por 100 mil habitantes (2023), a menor taxa entre as capitais brasileiras e menos da metade do índice de 2015. Apesar disso, os crimes patrimoniais seguem crescendo. Entre 2012 e 2022, os roubos saltaram 17%, impactando diretamente a sensação de segurança da população.
Menos homicídios, mas mais assaltos: este é o paradoxo que marca a vida cotidiana dos paulistanos.
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