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Gasolina mais barata muda a conta: ainda vale abastecer com etanol?

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A gasolina mais barata pela Petrobras reacende comparação nos postos e reforça que escolha depende do carro, da região e do consumo real  |   BNews SP - Divulgação Foto:Divulgação
Érica Sena

por Érica Sena

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Publicado em 27/01/2026, às 08h20



A redução de 5,2% no preço da gasolina A, anunciada pela Petrobras, começa a chegar aos postos nos próximos dias e já altera o cálculo feito por milhões de motoristas. Com o corte, o litro do combustível vendido às distribuidoras caiu R$ 0,14, passando para R$ 2,57, o que tende a pressionar os preços finais para baixo.

A mudança, porém, não resolve automaticamente uma dúvida antiga: afinal, o que compensa mais hoje, gasolina ou etanol? Como citado pela CNN Brasil.

O que muda com o corte da Petrobras

A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e recebe, depois, a mistura obrigatória de etanol anidro antes de chegar às bombas. Segundo a estatal, desde dezembro de 2022 o produto acumula redução de R$ 0,50 por litro, o equivalente a uma queda real de 26,9%, já descontada a inflação.

Na prática, o impacto para o consumidor não é imediato nem uniforme. Preços nos postos variam conforme impostos estaduais, custos de transporte, margem de lucro das distribuidoras e dos revendedores.

A regra dos 70% ainda vale?

Tradicionalmente, motoristas de veículos flex usam a chamada “regra dos 70%” para decidir. Se o preço do etanol for até 70% do valor da gasolina, ele tende a ser mais vantajoso, já que rende menos quilômetros por litro.

No entanto, essa conta vem sendo relativizada. Em carros mais modernos, a relação pode chegar a 75%, dependendo da eficiência do motor e do tipo de injeção.

gasolina mais barata?
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Atenção aos motores mais novos

O engenheiro mecânico Humberto Daher explica que a regra surgiu quando a gasolina tinha 22% de etanol anidro, percentual que hoje está em 30%.
“Serve como referência geral, mas não funciona igual para todos os carros”, afirma. Segundo ele, o uso contínuo de etanol em motores com injeção direta pode causar desgaste, algo que já aparece em manuais de algumas montadoras.

A recomendação é alternar combustíveis e observar o comportamento do veículo. “O etanol oferece melhor desempenho e aceleração em algumas situações, mas não é ideal para todos os usos”, explica.

O teste que vale mais do que a teoria

A orientação final é simples: o melhor cálculo é o do próprio motorista. Encher o tanque com etanol, medir o consumo, depois repetir o teste com gasolina, mantendo o mesmo trajeto e rotina, ajuda a descobrir qual combustível entrega melhor custo por quilômetro rodado.

Com a queda recente, a gasolina tende a ganhar competitividade em muitas regiões, especialmente onde o etanol é mais caro. Já em áreas produtoras de cana-de-açúcar, o biocombustível ainda pode seguir como a opção mais econômica.

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