Política

Greve dos caminhoneiros vai acontecer? Entidades mantêm estado de alerta

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Após assembleia, caminhoneiros aguardam novas negociações com o governo, que devem ocorrer na próxima semana com o ministro Boulos.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Instagram
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 20/03/2026, às 10h12



Entidades representativas dos caminhoneiros decidiram adiar uma paralisação nacional após assembleia realizada em Santos, no litoral paulista. O encontro definiu um prazo de 7 dias para o governo federal avançar nas negociações, mantendo, porém, o estado de greve ativo.

A decisão foi tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista. O movimento não foi encerrado, apenas postergado enquanto seguem as tratativas com o governo, o que mantém a categoria em alerta, segundo o Uol.

Prazo e negociação com o governo

Logo após a assembleia, representantes da categoria confirmaram que novas conversas devem ocorrer nos próximos dias. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, indicou que receberá os caminhoneiros na próxima semana.

Segundo lideranças do setor, a maioria dos participantes defendia a paralisação imediata. Ainda assim, houve consenso para aguardar. Caso não haja avanço nas reivindicações dentro do prazo, a categoria pode iniciar a greve, conforme apontado por dirigentes.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística afirmou que a paralisação está suspensa temporariamente. A entidade destacou que a decisão foi influenciada pela publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026.

Medida provisória e reivindicações

A nova norma estabelece regras mais rígidas para o setor de transporte rodoviário. Entre os pontos previstos, está a obrigatoriedade do registro das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte.

Com essa exigência, a Agência Nacional de Transportes Terrestres poderá fiscalizar os valores pagos. O objetivo é garantir o cumprimento do piso mínimo do frete, uma das principais demandas da categoria.

A medida também prevê sanções para empresas que descumprirem as regras. As multas variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, podendo chegar à suspensão ou cancelamento do registro em caso de reincidência.

Além disso, foi publicado o Decreto nº 12.883/2026, que estabelece diretrizes para o preço de referência do diesel. Esse ponto também está no centro das negociações entre caminhoneiros e governo.

Situação nos estados e próximos passos

Outras entidades do setor também se posicionaram sobre o tema. A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores informou que a greve geral está suspensa até nova rodada de diálogo.

A decisão está condicionada ao avanço nas negociações e ao atendimento das pautas pendentes. A continuidade do movimento dependerá diretamente das respostas do governo nos próximos dias, segundo as lideranças.

Em Santa Catarina, uma paralisação prevista foi desmobilizada após decisão judicial. A Justiça Federal proibiu bloqueios em rodovias e acessos portuários, estabelecendo multas em caso de descumprimento.

Com isso, o cenário permanece indefinido, com a categoria aguardando novas definições antes de decidir sobre uma possível paralisação nacional.

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