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"100 Dias de Mentiras" é baseado em fatos reais? Veja o que aconteceu na Coreia

Dorama da Netflix, "100 Dias de Mentiras", se passa durante a ocupação japonesa da Coreia, mas os protagonistas e a missão de espionagem são fictícios  |  Foto: Divulgação/tvN

Publicado em 10/10/2026, às 06h30   Foto: Divulgação/tvN   Andrezza Souza

O dorama "100 Dias de Mentiras" não retrata uma história real específica. A série acompanha personagens fictícios em um cenário histórico: a Coreia sob domínio japonês, em 1932.

Na trama, Lee Ga Kyung, interpretada por Kim You-jung, é uma batedora de carteiras recrutada para se infiltrar no Governo-Geral japonês e obter informações. Durante a missão, ela se aproxima de Kim Tae-ung, também conhecido como Sato Hideo, um intérprete ligado a uma família japonesa.

Os protagonistas, o romance e a operação de 100 dias foram criados para a produção. Já a ocupação japonesa e as estruturas de poder retratadas na história existiram.

Foto: Divulgação/tvN via Soompi

Como era a Coreia em 1932?

O Japão anexou formalmente a Coreia em 1910 e manteve o domínio colonial até 1945. Nesse período, o Governo-Geral da Coreia concentrava poderes administrativos, militares, legislativos e judiciais.

A trama se passa em Gyeongseong, nome usado para a atual Seul durante a ocupação. A cidade era o centro político e econômico da colônia, com prédios governamentais, empresas, escolas, cinemas e lojas.

Apesar da modernização urbana, havia uma divisão social entre japoneses e coreanos. Regiões com maior presença japonesa contavam com melhor infraestrutura, enquanto muitos coreanos viviam em bairros mais pobres e densamente ocupados.

A resistência contra o domínio japonês existiu?

Sim. Movimentos pela independência atuaram durante a ocupação, dentro e fora da península coreana.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 1º de março de 1919, quando protestos contra o domínio japonês começaram em Gyeongseong e se espalharam pelo país. O movimento ficou conhecido como Primeiro de Março e se tornou um marco da luta pela independência.

Nos anos seguintes, organizações políticas e clandestinas continuaram a combater o governo colonial. A troca de informações, a propaganda e outras ações contra as autoridades fizeram parte dessa resistência.

A missão de Ga Kyung, porém, não corresponde a uma operação histórica identificada. A série usa esse contexto para desenvolver a trama de espionagem.

Ga Kyung e Tae-ung existiram?

Não há registros que identifiquem Lee Ga Kyung e Kim Tae-ung como pessoas reais ligadas aos acontecimentos retratados no dorama.

Ga Kyung é uma personagem criada para a série. Já Tae-ung é um coreano criado por uma família japonesa que trabalha como intérprete no Governo-Geral. O nome Sato Hideo reflete esse vínculo familiar e sua posição na estrutura colonial.

O conflito do personagem envolve identidade, lealdade e pertencimento nacional. A história também faz referência às políticas de assimilação cultural impostas pelo Japão durante a ocupação.

Essas medidas se tornaram mais rigorosas no fim da década de 1930, quando as autoridades passaram a pressionar os coreanos a adotar nomes japoneses e restringiram manifestações culturais. Por isso, não é correto atribuir todas essas políticas ao ano de 1932.

Quando se passa "100 Dias de Mentiras"?

A trama começa em Gyeongseong, em 1932. O domínio japonês sobre a Coreia terminou em agosto de 1945, após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.

"100 Dias de Mentiras" estreia na Netflix em 10 de outubro de 2026, com lançamento semanal.

Embora use um cenário histórico real, o dorama não reconstitui uma missão específica. A ocupação japonesa, o Governo-Geral e os movimentos pela independência são fatos documentados. Já os protagonistas, o romance e a infiltração fazem parte da ficção.

Classificação Indicativa: Livre


TagsNetflixEspionagem100 dias de mentirasCoreia

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