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Publicado em 14/02/2026, às 10h03 Foto: Divulgação/Felipe Araújo/Liga-SP Érica Sena
A primeira noite do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo mostrou que a briga pelo título promete ser uma das mais equilibradas dos últimos anos.
Sete escolas passaram pelo Sambódromo do Anhembi com alto nível técnico, luxo nas alegorias e forte presença de crítica social, em apresentações que atravessaram a madrugada até o amanhecer.
Entre os destaques estiveram a atual campeã Rosas de Ouro e a vice de 2025, Acadêmicos do Tatuapé, além da surpreendente estreia da Mocidade Unida da Mooca na elite paulistana, como citado pelo site Metrópoles.
O único problema técnico da noite ocorreu durante o desfile da Tatuapé. Um carro alegórico provocou vazamento de óleo na pista, o que atrasou em cerca de 40 minutos a entrada da Rosas de Ouro. A escola, que já havia sido punida com a perda de 0,5 ponto por entregar documentos fora do prazo, optou por aguardar a limpeza da avenida para evitar riscos.
Enquanto a pista era tratada, a bateria e os intérpretes da Rosas promoveram um “super-esquenta”, relembrando sambas históricos da agremiação. O contratempo não impediu um desfile grandioso, marcado por um abre-alas de 40 metros com pintura especial que mudava de cor conforme a luz, em um enredo que tratou a astrologia como ciência e percorreu da formação do universo à leitura dos astros.
A Mocidade da Mooca levantou o público ao homenagear o Geledés, Instituto da Mulher Negra. Com punhos cerrados e bateria em parada estratégica, a escola exaltou a luta antirracista e a ancestralidade africana, embora tenha precisado acelerar no fim para não estourar o tempo máximo.
A Colorado do Brás apostou em um desfile impactante sobre a história das bruxas e a perseguição às mulheres ao longo dos séculos. Já a Dragões da Real apresentou um espetáculo visual inspirado nas icamiabas, com um dragão de 12 metros dominando o abre-alas.
A Tatuapé levou à avenida um enredo em parceria com o MST, defendendo a reforma agrária e destacando a luta por distribuição de terras. O refrão ecoou forte nas arquibancadas, reforçando o tom político da apresentação.
O Vai-Vai apostou na história de São Bernardo do Campo e na força do movimento sindical, levantando o público mesmo com menos luxo que as concorrentes.
Já a Barroca Zona Sul encerrou a noite com o dia claro, exaltando Oxum em um carro com 30 mil litros de água e detalhes dourados. Mesmo ao amanhecer, ainda havia foliões sambando nas arquibancadas, sinal de que a disputa começou em ritmo intenso.
A segunda noite promete manter o alto padrão, com nomes de peso como Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre fechando o Grupo Especial.
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