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Publicado em 04/02/2026, às 11h50 Foto:Divulgação Érica Sena
A nova novela “Dona Beja”, aposta da HBO Max, revisita uma das figuras femininas mais emblemáticas do imaginário brasileiro sem a pretensão de reconstruir o passado de forma fiel.
Inspirada em Ana Jacinta de São José, personagem histórica que ganha vida na interpretação de Grazi Massafera, a produção assume um caminho claro: trabalhar a história a partir da ficção e da atualização de sentidos, em vez de seguir uma abordagem documental.
Em entrevista à CNN, o roteirista Daniel Berlinsky explicou que a obra parte justamente da escassez de registros históricos sobre a personagem. “A história é toda ficção, na medida em que ela não é documental”, afirmou. Segundo ele, a novela se constrói a partir de camadas de mitificação que envolvem Dona Beja ao longo do tempo, explorando o imaginário criado em torno da figura.
Embora ambientada em um período histórico específico, a novela evita uma reconstituição rígida de costumes e linguagem. A opção estética privilegia a comunicação com o público contemporâneo.
Nosso português falado tem cheiro de época, mas não é o português daquele tempo.
A intenção é permitir que o espectador reconheça os códigos históricos, sem se afastar emocionalmente da narrativa. “A gente quer entender as amarras do figurino, o corpete, mas quer se comunicar com o público de hoje”, disse.
Um dos pontos centrais dessa atualização está na abordagem do corpo feminino. A novela trata como “fora do padrão” um tipo físico que, historicamente, era valorizado. “Documentalmente, aquele corpo era o desejado na época, mas eu preciso falar com o público de agora”, explicou o roteirista.
A escolha busca provocar identificação e reflexão sobre padrões impostos, conectando debates atuais à narrativa de época. “A gente está o tempo todo costurando o passado com o presente para se comunicar com o agora”, resumiu.
Apesar da liberdade criativa, a pesquisa histórica teve papel importante no desenvolvimento da trama. Berlinsky contou com o apoio informal da historiadora Glaura Teixeira, de Araxá, além de uma equipe diversa de roteiristas, historiadores e consultoras.
O resultado é uma narrativa que explora empoderamento, desejo e vingança, revisitando Dona Beja não como registro histórico, mas como símbolo reinventado para o presente.
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