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por Marcela Guimarães
Publicado em 02/02/2026, às 18h47 - Atualizado às 18h50
Nesta segunda-feira (2), a plataforma de streaming HBO Max adiciona ao seu catálogo a novela brasileira “Dona Beja”.
A obra conta com 40 capítulos, é escrita por Daniel Berlinsky e António Barreira e possui direção de Hugo de Sousa.
É uma adaptação dos livros “Dona Beja: A Feiticeira do Araxá”, de Thomas Othon Leonardos, e “A Vida Em Flor de Dona Beja”, de Agripa Vasconcelos.
Os mesmos lançamentos inspiraram o clássico “Dona Beija”, exibido pela Rede Manchete em 1986.
O grande destaque da novela é sua figura histórica. Ana Jacinta de São José, criada em Araxá (MG), ficou conhecida por sua beleza e por atitudes que escandalizaram a sociedade do século 19.
O motivo? Ela desafiava os padrões morais e de comportamento impostos às mulheres da época.
Nascida em 2 de janeiro de 1800, na cidade de Formiga, Anna Jacintha de São José (escrita original) era filha de Maria Bernardo dos Santos e cresceu sem a presença do pai.
Mudou-se ainda criança para Araxá, onde passou a maior parte da vida e construiu sua fama. Tinha pele clara, olhos claros e cabelos loiros.
Seu apelido, Dona Beja, teria sido dado pelo avô, que dizia que ela era bonita “como a flor do beijo”.
Em 1815, aos 15 anos, Dona Beja foi sequestrada por Joaquim Inácio Silveira da Motta, ouvidor do rei Dom João VI.
Encantado com a garota, ele a levou para viver longe de Araxá, primeiro em Paracatu do Príncipe, também em Minas Gerais, onde não era conhecida.
Segundo registros históricos, ela viveu por cerca de dois anos como amante de Joaquim, contra sua vontade.
Nesse período, teve acesso aos costumes da Corte portuguesa e viveu uma vida de luxo. A relação terminou quando ele foi chamado de volta para o Rio de Janeiro, deixando Beja para trás.
Ao retornar a Araxá, Dona Beja encontrou uma sociedade diferente. Ela passou a ser alvo de julgamentos e comentários ofensivos, vista como uma ameaça às famílias de lá.
Com poucas opções e usando os recursos que havia acumulado, construiu a Chácara do Jatobá, onde passou a administrar um bordel.
Relatos históricos apontam que ela também se prostituía no local, atraindo homens influentes e provocando certa rejeição entre as mulheres da cidade.
Estudos indicam que Dona Beja era seletiva em suas escolhas, sempre buscando homens com poder econômico e intelectual, o que fez com que ela aumentasse ainda mais seu patrimônio.
Foi nesse período que teve duas filhas: Tereza Tomázia de Jesus, fruto de um reencontro com Manoel Fernando Sampaio (com quem deveria ter se casado antes do sequestro) e Joana de Deus de São José, de outro relacionamento.
Segundo a historiadora Raquel Leão, Dona Beja rompeu padrões de sua época. “Ela era mãe solteira, sozinha, não se limitou ao papel de lar imposto a ela. Ela foi muito atuante na política liberal, as reuniões eram feitas na chácara dela, coisa que não era muito normal para o momento. As mulheres do século 19 eram muito submissas, já Dona Beja, não”, comentou.
Por volta de 1850, Dona Beja deixou Araxá com as filhas e foi para Bagagem, atual Estrela do Sul (MG), atraída pelo ciclo do diamante. Com o dinheiro que conseguiu acumular, investiu em terras e iniciou atividades de garimpo.
Ela permaneceu na região até o fim da vida. Sua filha mais nova se casou e teve filhos. Dona Beja morreu em 1873, aos 73 anos.
Hoje, sua trajetória permanece viva na memória popular. Em Araxá, objetos e registros de sua história estão preservados no Museu Municipal Dona Beja.
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