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Homem realmente foi à Lua? Veja teorias da conspiração que ainda persistem

Mesmo com evidências históricas, teorias conspiratórias sobre a chegada do homem à Lua continuam se espalhando e gerando dúvidas  |  Foto: NASA via Unsplash

Publicado em 30/03/2026, às 13h10   Foto: NASA via Unsplash   Redação BNews São Paulo

Mais de meio século após a missão que levou o homem à Lua, ainda há quem questione se o feito realmente aconteceu. Desde o histórico passo dado por Neil Armstrong, em 1969, teorias conspiratórias continuam circulando.

Segundo o físico e engenheiro Ivair Gontijo, cientista da NASA, o problema não está apenas na existência dessas teorias, mas na forma como elas se multiplicam. “Não adianta tentar rebater uma teoria da conspiração porque outra vai aparecer logo após. Por isso o melhor é voltar ao início e ver como aconteceu a corrida espacial”, afirmou à BBC Brasil.

“Muitas pessoas tem dúvidas legítimas e querem entender, mas quando procuram pelo assunto na internet, acabam achando mais teorias da conspiração e ficando mais confusas ainda”, comentou o especialista.

Pesquisas ao redor do mundo mostram que a desconfiança não é isolada. Nos Estados Unidos, levantamentos indicam que cerca de 6% da população duvida da chegada do homem à Lua, mas há estudos que elevam esse número para aproximadamente 20%.

No Reino Unido, uma pesquisa aponta que um em cada seis britânicos acredita que o feito foi encenado. Entre os mais jovens, o índice cresce ainda mais. Já na Rússia, um levantamento recente indicou níveis de descrença que chegam a 57%, reflexo, em parte, da herança da Guerra Fria e da rivalidade com os Estados Unidos.

O que dizem os fatos

Apesar das dúvidas, os registros históricos são claros: 12 astronautas caminharam na superfície lunar entre 1969 e 1972, ao longo de seis missões do programa Apollo. Todos eram norte-americanos e participaram de expedições que se estenderam por horas em solo lunar.

Foto: NASA via Unsplash

De onde vêm as teorias

As versões conspiratórias variam. Algumas defendem ideias sem base científica, enquanto outras tentam argumentar que seria impossível retornar da Lua à Terra.

Embora tenham se modernizado, essas teorias não são recentes. Um dos primeiros registros mais conhecidos está no livro publicado por Bill Kaysing, que defendia que as missões Apollo teriam sido forjadas pelo governo americano durante a Guerra Fria.

Nos anos 1980, essas ideias ganharam novo impulso com grupos como a Sociedade da Terra Plana, que passaram a sustentar que a chegada à Lua teria sido encenada com apoio da indústria cinematográfica.

Argumentos contra a conspiração

Para especialistas, a hipótese de fraude esbarra em um ponto central: a dimensão do projeto Apollo. Cerca de 400 mil pessoas participaram direta ou indiretamente do programa ao longo de uma década.

Gontijo destaca que seria praticamente impossível manter um segredo dessa magnitude sem vazamentos. “Os russos, maiores competidores dos americanos, nunca denunciaram as viagens à lua como farsa”, afirmou. “Eles sabiam muito bem o estado da tecnologia da época porque estavam tentando fazer o mesmo. E seus cientistas e engenheiro jamais levantaram dúvidas sobre o sucesso dos americanos”.

Outro argumento recorrente envolve a própria evolução da corrida espacial. Antes da chegada à Lua, tanto soviéticos quanto americanos já haviam realizado feitos comprovados, como o lançamento do satélite Sputnik e o envio do primeiro homem ao espaço, Iuri Gagarin.

Lógica da corrida espacial

O avanço tecnológico da época seguiu uma sequência progressiva. Missões anteriores permitiram desenvolver técnicas essenciais, como acoplamento de naves, permanência prolongada no espaço e cálculos de trajetória.

Segundo Gontijo, a ida à Lua não foi um salto isolado, mas consequência de uma série de conquistas acumuladas.

“Se um objeto está em uma órbita circular em torno de um planeta ou Lua ou qualquer outro corpo celeste, é preciso muito pouco para escapar do ‘abraço gravitacional’”, explicou. “Se a velocidade do objeto for aumentada em 41%, ele escapa. Isso é consequência das leis da física e já era um fato bem conhecido durante a corrida espacial. Então não era tão difícil assim fazer foguetes potentes o suficiente para escapar da órbita terrestre”.

Evidências posteriores

Outro ponto que reforça a veracidade das missões é a existência de registros posteriores. Expedições seguintes encontraram vestígios deixados por missões anteriores, como equipamentos e marcas no solo lunar.

Além disso, sondas de outros países também captaram imagens dessas áreas décadas depois, confirmando a presença humana no satélite natural da Terra.

Desinformação ainda persiste

Mesmo com evidências acumuladas ao longo de décadas, o debate continua vivo. Para Gontijo, a melhor forma de lidar com o tema é apostar na informação de qualidade.

“Até hoje muita gente me faz essa pergunta, se o homem foi mesmo à Lua ou não. É interessante notar que não é só no Brasil que tem gente que não acredita. Na Escócia e mesmo nos Estados Unidos também há pessoas que não acreditam. Acho que esse é um fenômeno mundial”, afirmou.

Ele conclui que o desafio não está apenas em apresentar fatos, mas em torná-los acessíveis.

“Em geral, informações genuínas e independentes sobre o programa espacial não são muito acessíveis no Brasil por causa da barreira da língua”, disse. “Até nos Estados Unidos, muita gente não sabe onde procurar e acaba descobrindo muitas teorias da conspiração sobre o assunto. Assim, em vez de diminuírem, as dúvidas às vezes aumentam. Há muita desinformação sobre esse tema nos meios de comunicação, em especial na internet”, disse.

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