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Publicado em 06/08/2026, às 21h00 Foto: Reprodução/Diamond Films Amanda Ambrozio
Em meio ao debate crescente sobre medicamentos para emagrecimento e os padrões estéticos impostos pela sociedade, o longa-metragem "Insaciável" chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (6) apostando no terror psicológico para discutir compulsão alimentar, cultura da dieta e a busca obsessiva pelo corpo ideal.
Dirigido por Natalie Erika James, de "Relíquia Macabra", o filme dialoga com produções recentes como "A Substância" (2024) e "A Meia-Irmã Feia" (2025), representantes da vertente conhecida como beauty horror, um subgênero do horror corporal.
Distribuído pela Diamond Films, o longa utiliza imagens perturbadoras e cenas gráficas para refletir sobre os impactos físicos e emocionais da obsessão pela magreza em um momento em que medicamentos para perda de peso ocupam espaço central nas discussões sobre saúde e estética.
A trama acompanha Hana, interpretada por Midori Francis, uma universitária determinada a alcançar o corpo que considera ideal.
Em busca de uma solução definitiva para emagrecer, ela inicia um tratamento radical à base de comprimidos sem questionar sua origem.
Tudo muda quando Hana descobre que as pílulas são produzidas a partir de cinzas humanas.
Mesmo diante da revelação, ela continua consumindo o medicamento, mergulhando em uma espiral de compulsão e consequências cada vez mais perturbadoras.
O filme transforma essa dependência em uma metáfora sobre os limites da pressão estética, utilizando elementos sobrenaturais para discutir temas presentes na realidade de milhões de pessoas.
A discussão proposta por "Insaciável" ganha ainda mais força diante do aumento do uso de medicamentos para perda de peso, segundo a CNN Brasil.
Segundo uma pesquisa do Instituto Ifepec, 7% dos pacientes afirmaram já ter utilizado medicamentos da classe GLP-1 — responsáveis por aumentar a sensação de saciedade — sem prescrição médica antes da primeira consulta.
Ao abordar o desejo de emagrecer a qualquer custo, o longa também acompanha a recente ascensão do chamado beauty horror, subgênero que utiliza transformações físicas extremas para discutir envelhecimento, procedimentos estéticos e os impactos psicológicos dos padrões de beleza impostos pela sociedade.
Natalie Erika James afirma que o ponto de partida da história surgiu de vivências dentro da própria família.
Em entrevista à revista norte-americana Variety, a cineasta contou que cresceu observando comportamentos opostos em relação à alimentação e à imagem corporal.
"Cresci com pais que estão em lados opostos do espectro em termos da sua relação com o próprio corpo, com a comida e com a alimentação. [...] Cresci com várias ideias distorcidas sobre imagem corporal, como acontece com vários de nós. Levou um tempo longo para processar essa noção, e a ideia para o filme veio desse processo de recuperação", afirmou.
A diretora também disse acreditar que o filme pode estimular debates sobre a glamourização da magreza extrema.
"Tenho certeza de que teremos muitas discussões, principalmente neste momento com a glamourização da magreza extrema. O filme evidencia como a cultura da dieta e o estigma sobre o peso são parte da nossa cultura. É um problema real e isso precisa mudar", completou.
Antes da estreia comercial, "Insaciável" passou por festivais como Sundance e Berlim, onde recebeu elogios da crítica.
No jornal britânico The Guardian, Luke Buckmaster destacou que Natalie Erika James "une o terror sobrenatural com pavor corporal sem cair em clichês de filmes de fantasma".
Já Tomris Laffly, do portal Roger Ebert, escreveu que "Insaciável prova que, em um grande filme de terror, medo e desesperança caminham lado a lado".
Confira o trailer do novo filme abaixo:
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