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O que é um teriano? Fenômeno cresce em vários países e viraliza nas redes

Nova tendência on-line, o conceito de teriano mistura identidade e mitologia e levanta debate sobre comportamento e saúde mental  |  Foto: Reprodução/Instagram @foxcor_

Publicado em 20/02/2026, às 10h03   Foto: Reprodução/Instagram @foxcor_   Bianca Novais

Imagine encontrar, em um parque, pessoas vestidas e agindo como cães: pulando, brincando, latindo e interagindo entre si antes de voltarem para casa “de quatro”. A cena pode parecer inusitada, mas representa um grupo que cresce em diferentes países: os terianos.

Segundo reportagem de O Globo, os chamados “therians” são pessoas que se percebem parcialmente como animais e afirmam ter uma conexão profunda com a espécie com a qual se identificam. Diferentemente dos "furries", que utilizam fantasias como forma de cosplay, os terianos descrevem essa identificação como parte de quem são.

Foto: Reprodução/Redes sociais.

Origem do termo

A definição moderna surgiu nos anos 1990, quando comunidades online começaram a reunir pessoas que se identificavam como elfos, sob o termo “otherkin”. Posteriormente, a classificação evoluiu para “therian”, voltada especificamente a quem se reconhece como humano com identidade parcial animal.

A palavra tem raízes antigas: deriva dos termos gregosther (fera) e anthropos (ser humano), associados à ideia de híbridos humano-animal presentes em mitologias há séculos.

Conexão desde a infância

Muitos integrantes da comunidade relatam que a identificação começou ainda na infância, com a sensação de que lhes faltavam partes do corpo como orelhas, caudas ou focinhos. Até agora, predominam relatos de identificação com mamíferos: cães, gatos e raposas estão entre os mais comuns.

Há também quem se identifique com animais extintos, criaturas fictícias ou seres considerados míticos. Em fóruns online, membros explicam que a teriantropia não é vista como escolha, e que não seria possível decidir qual “tipo” de teriano alguém é.

Veja:

Internet e visibilidade

Durante anos, pessoas com essa identificação viveram de forma isolada. O cenário mudou com o surgimento das salas de bate-papo e comunidades virtuais, que facilitaram a formação de grupos dedicados a furries e terianos.

Em 2023, um caso ganhou repercussão internacional quando um japonês que vive como um cão da raça collie viralizou nas redes, reacendendo o debate sobre o tema.

Saúde mental em debate

Relatórios citados pela imprensa americana indicam que furriesnão apresentam taxas maiores de ansiedade, depressão ou outros transtornos de humor em comparação com a população geral. Também não há maior incidência de TDAH ou uso de medicação psicotrópica nesse grupo.

Até o momento, porém, não existem pesquisas específicas que determinem se terianos apresentam ou não algum transtorno mental. A classificação diagnóstica é evitada, e o fenômeno é descrito, por integrantes da comunidade, como uma forma de viver e se expressar que não implica, necessariamente, distorções da realidade nem prejuízo a terceiros.

Classificação Indicativa: Livre


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