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Publicado em 06/10/2026, às 16h30 Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras - Foto: Jota Erre/AGIF Amanda Ambrozio
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, cobrou apoio dos conselheiros que integram sua base política no clube durante um evento realizado na noite de segunda-feira (5).
Em discurso, a dirigente reclamou da falta de defesa pública diante de questionamentos sobre sua dedicação ao Palmeiras e a atuação de seu marido, José Roberto Lamacchia.
A fala ocorre em meio à negociação para a compra da SAF do Vasco por Marcos Lamacchia, enteado de Leila e filho de José Roberto. O negócio é alvo de discussões sobre possível conflito de interesses, já que Leila tem mandato no Palmeiras até dezembro de 2027.
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) abriu procedimento para analisar a operação e determinou medidas cautelares envolvendo relações entre Vasco, Palmeiras e empresas ligadas à família Lamacchia.
Durante o encontro com conselheiros, Leila afirmou estar incomodada com comentários de integrantes da oposição que questionam sua dedicação ao clube.
“Vejo alguns boatos a respeito de mim, do meu marido, dando a entender que nossa dedicação não é integral à Sociedade Esportiva Palmeiras. Fico muito triste quando vejo meia dúzia da oposição falar este tipo de coisa. Sinto que as pessoas que me apoiam sabem nosso caráter, dedicação e não falam absolutamente nada”, disse.
Na sequência, a presidente cobrou uma postura mais ativa dos aliados quando seu caráter ou o de José Roberto Lamacchia forem questionados.
“Quando vierem questionar o caráter da presidente e do marido da presidente, que sempre se dedicou à Sociedade Esportiva Palmeiras, não posso permitir que fiquem quietos e não defendam. Será que não valeu nada? O que é isso?”, afirmou.
Leila também classificou como mentira qualquer afirmação de que sua dedicação ao Palmeiras tenha diminuído por causa da negociação envolvendo o Vasco.
“Quando começar a conversa de meia dúzia de imbecis de que nossa dedicação não é integral ao Palmeiras, é mentira. Até dezembro de 2027, minha dedicação e do meu marido é integral ao Palmeiras”, reforçou.
No discurso, Leila também afirmou que pretende deixar o futebol ao fim de seu mandato no Palmeiras, em dezembro de 2027.
“Quando sair, em dezembro de 2027, vou voltar de onde vim, me dedicar às minhas empresas e vou continuar colaborando aqui com nosso futuro presidente”, declarou.
A presidente não pode disputar uma nova eleição para o cargo. Conselheiros ligados à situação chegaram a discutir uma mudança estatutária que permitiria uma tentativa de terceiro mandato, mas a proposta não avançou.
Segundo o ge, a tendência é que Leila apoie o atual vice-presidente, Paulo Buosi, na próxima eleição.
Em junho, José Roberto Lamacchia havia afirmado que Leila poderia futuramente ocupar um cargo no Vasco, mas somente depois de deixar a presidência do Palmeiras. Na ocasião, ele também disse que a dirigente estava “200%” envolvida com o clube paulista.
A negociação do Vasco com a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, avançou nas últimas semanas. A companhia venceu o leilão pela compra da SAF vascaína e poderá ficar com 90% das ações caso a operação seja aprovada nas instâncias necessárias.
O possível conflito de interesses está relacionado às relações familiares de Marcos com Leila e José Roberto Lamacchia.
A Anresf abriu procedimento para analisar a operação e determinou medidas cautelares, incluindo a proibição de relações comerciais entre Vasco, Palmeiras e a Crefipar, conglomerado ligado a Leila.
O Ocupa Palestra, grupo de oposição do Palmeiras, já havia cobrado a saída de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo caso a participação da família na gestão do Vasco fosse concretizada.
O grupo apontou riscos de conflito de interesses e defendeu medidas para proteger informações estratégicas do clube.
Após a divulgação do áudio do discurso, o Ocupa Palestra e o Grupo Arquibancada publicaram uma nota conjunta criticando a postura de Leila.
Os grupos afirmaram que a presidente teria recorrido a “desqualificações pessoais” e “ofensas verbais” contra conselheiros que, segundo eles, estariam cumprindo seu papel de fiscalização.
“A reação da mandatária em evento recente com conselheiros, infelizmente, seguiu o mesmo padrão já conhecido da opinião pública: em vez de apresentar respostas técnicas e salvaguardas institucionais a um problema real, a Sra. Presidente preferiu recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário”, diz o texto.
Os grupos sustentam que o questionamento não seria uma crítica à legitimidade da negociação do Vasco, mas uma tentativa de proteger os interesses do Palmeiras.
“Apontar a existência do conflito de interesses não é um ataque pessoal, mas um alerta para uma situação objetiva de risco institucional”, afirmaram.
Na nota, Ocupa Palestra e Arquibancada afirmaram que o Palmeiras deveria adotar medidas para impedir o vazamento de informações estratégicas e proteger seu patrimônio e seu conhecimento de negócios.
Entre as preocupações citadas estão o acesso a informações sensíveis, o uso de conhecimento interno do clube e a necessidade de estabelecer regras para profissionais que eventualmente tenham vínculos com outras organizações.
Os grupos também criticaram o pedido feito por Leila para que conselheiros aliados se manifestassem contra integrantes da oposição.
“Além disso, ao cobrar que os conselheiros aliados se manifestem contra a oposição, há um pedido claro para que abram mão de sua função mais importante, que é a fiscalização dos destinos do clube”, afirma a nota.
A oposição ainda relacionou o episódio a uma reunião do Conselho Deliberativo marcada para 19 de outubro, na qual está prevista a votação da suspensão de um conselheiro acusado de ofender Leila em uma reunião.
No fim do comunicado, os grupos afirmaram que continuarão questionando a gestão e defenderam a fiscalização dos atos da diretoria.
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