Farinha Lima
Publicado em 18/02/2026, às 07h00 Foto: Imagem feita por IA Farinha Lima
A Acadêmicos de Niterói levou a geopolítica para a Marquês de Sapucaíao homenagear Luiz Inácio Lula da Silvacom uma ala que ironiza patriotas de exportação: bonés “Maga”, orelhas de Mickey e uma Estátua da Liberdade em chamas servem como recado visual a quem, segundo o enredo, atuou mais alinhado a Donald Trump do que ao próprio país; cutucada que mira, sem dizer o nome, Eduardo Bolsonaro.
O pano de fundo é o tarifaço e as sanções que atingiram o ministro Alexandre de Moraes e depois foram revistas, provando que, no Carnaval, até crise diplomática desfila com pluma, paetê e deboche calculado.
O desfile geopolítico-pop da Acadêmicos de Niterói, que já tinha transformado a Sapucaí em arena diplomática pró-Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou um terceiro ato fora da avenida: o jurídico.
Embalado pelo mesmo enredo que ironizou trumpistas tropicais, o espetáculo agora é contestado por Renato Bolsonaro, que acionou a Justiça alegando propaganda eleitoral antecipada por causa do número 13, do jingle e dos foliões fazendo “L” com a mão. A ação também reclama do tratamento de palhaço dado a Jair Bolsonaro e da ala vista como deboche a famílias conservadoras.
Se no Rio o desfile pró-Luiz Inácio Lula da Silva terminou em disputa judicial, em Belo Horizonte o Carnaval ganhou a versão bloco-resposta: apoiadores de Jair Bolsonaro estrearam o “Bloco da Anistia” como protesto embalado por marchinha, oração e Hino Nacional em ritmo momesco.
Organizado por conservadores mineiros, o cortejo defendeu perdão geral aos condenados pelo 8 de janeiro e puxou gritos contra o ministro Alexandre de Moraes, com trio comandado pelo deputado Eros Biondini cantando gospel para um público que a deputada Duda Salabert definiu, pelo quorum, como “lotado de ninguém”.
Enquanto isso, no Carnaval de SP, a ousadia turística da Águia de Ouro resolveu fazer escala em Amsterdã com direito a bonecão de maconha, prostitutas cenográficas e um samba que basicamente convidava o Anhembi a “ficar bem louco”, mas quem acabou em bad trip foi a própria escola: lanterna no quesito alegoria, justamente onde apostou suas fichas libertárias.
As notas tímidas (29 pontos após descarte) garantiram o rebaixamento, enquanto rivais patinaram, mas não caíram tanto.