Farinha Lima
por Farinha Lima
Publicado em 11/02/2026, às 07h00
Ricardo Nunes decretou “sucesso” o primeiro fim de semana de pré-Carnaval em São Paulo, mesmo com megablocos superlotados, queixas sobre falta de banheiros e tumultos como o registrado no Baixo Augusta, na Consolação. Para o prefeito, o saldo positivo se mede pela matemática oficial: muita gente na rua, poucas ocorrências graves e feridos sem registro crítico, apesar do aperto no bloco do DJ Calvin Harris e das multidões que seguiram Ivete Sangalo.
Em entrevista, Nunes sustentou que a infraestrutura de segurança e saúde foi “perfeita” e que ajustes sempre são feitos em eventos desse porte: leitura otimista de uma festa que, entre elogios oficiais e perrengues dos foliões, já mostrou que o Carnaval paulistano segue funcionando no limite da capacidade e da paciência.
Na mesma folia, a prefeitura de São Paulo reduziu a infraestrutura do Carnaval de rua, com corte de cerca de 37% nos banheiros químicos, mas manteve os gastos acima de R$ 65 milhões, apesar de divulgar que a festa seria paga integralmente por patrocínio privado.
A diferença está no fatiamento de contratos: itens que antes faziam parte do pacote principal foram transferidos para acordos paralelos com a SPTuris, enquanto despesas como a de guias turísticos bilíngues dispararam para R$ 8,7 milhões e superaram o investimento em banheiros.
Somam-se ainda custos elevados com saúde e fiscalização, fora despesas de limpeza e segurança que não foram detalhadas. Para o folião, a estrutura encolheu; para a planilha oficial, o Carnaval segue em plena expansão.
Em evento sobre educação em Mauá, Lula protagonizou um momento digno de replay infinito ao chamar a atual primeira-dama, Janja, de “Marisa”, nome de sua ex-mulher, falecida em 2017.
A gafe deixou o palco brevemente constrangido e Janja visivelmente sem graça, até o presidente corrigir a troca e emendar que se referia à companheira ao convidá-la para acompanhá-lo em uma unidade móvel de exames preventivos, como mamografia.
O episódio, que rapidamente escapou do roteiro educacional para o folclore político, mostrou que nem discursos ensaiados escapam de lapsos presidenciais.
No mesmo evento, Lula resolveu transformar a Carreta da Saúde em palanque pedagógico e, com seu didatismo direto, afirmou que muitos homens evitam o exame de próstata por vergonha do toque retal.
Ao comparar a resistência masculina com a rotina de exames enfrentada pelas mulheres, o presidente disse que há “homão” que foge do consultório para não “tomar uma dedada”. A cena misturou campanha de saúde pública com humor de palanque, num esforço presidencial para cutucar o machismo preventivo.
Tarcísio de Freitas, eleito com o entusiasmo das forças de segurança, agora enfrenta fogo amigo da própria bancada da bala na Alesp, que cobra promessas salariais e benefícios que, segundo policiais, ficaram no palanque.
Deputados aliados pressionados falam em reajuste de dois dígitos, bônus pendentes e programas habitacionais travados, enquanto sindicatos acusam traição e preparam protesto na Paulista.
O veto em regras de aposentadoria e a demora na nova lei orgânica da Polícia Civil ampliaram o ruído. Em ano eleitoral, o governador que prometia blindagem política pelas fardas descobre que o colete não era à prova de frustração.
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