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CNC vê risco de alta nos preços com o fim da escala 6x1; entenda

Estudo aponta que nova carga de 36 horas pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos adicionais para o setor comercial.  |  Foto: Reprodução/Agência Brasil

Publicado em 27/02/2026, às 10h54   Foto: Reprodução/Agência Brasil   Fernanda Montanha

A possibilidade de extinguir o modelo 6x1 e limitar a carga semanal a 36 horas é alvo de análise no Congresso Nacional. Um parecer técnico divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que a medida pode provocar forte impacto financeiro no setor.

De acordo com o documento, a alteração pode elevar a folha salarial do comércio em 21%, gerando custo adicional estimado em R$ 122,4 bilhões por ano. O estudo considera propostas que modificam o teto atual de 44 horas semanais previsto na Constituição.

Entre as iniciativas citadas está a PEC 8/2025, apresentada por Erika Hilton, que prevê jornada de 36 horas distribuídas em 4 dias sem redução de salário. Também é mencionada a PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes, que estabelece limite semelhante com implementação gradual.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2024 indicam a existência de 57,8 milhões de empregos formais no país. Cerca de 31,5 milhões estariam em jornadas diretamente afetadas pela mudança, segundo o levantamento utilizado pela CNC.

O parecer ressalta que 93% dos trabalhadores do varejo e 92% do atacado cumprem carga superior a 40 horas semanais. Esse perfil, segundo a entidade, torna o comércio especialmente sensível à redução do limite, conta o G1.

Repercussões em preços e vendas

Para calcular os efeitos, a CNC simulou um novo teto de 40 horas semanais. Como a legislação impede diminuição nominal de salários, a adequação exigiria reorganização contratual. O custo total estimado de adaptação no comércio alcança R$ 122,4 bilhões ao ano, valor que representa crescimento imediato de 21% na folha.

O relatório utilizou modelo econométrico para projetar repasses aos preços. Segundo a análise, cada aumento de 1% na massa salarial tende a gerar alta média de 0,6% nos preços ao consumidor no longo prazo.

Com base nesse parâmetro, a entidade calcula que uma elevação de 21% poderia resultar em aumento de até 13% nos preços finais. O próprio parecer reconhece que o repasse integral pode não ocorrer, já que a renda das famílias pode não sustentar reajustes dessa magnitude.

Nesse cenário, a consequência apontada seria retração nas vendas, diante da limitação do poder de compra.

Impacto na rentabilidade das empresas

O estudo também avaliou reflexos sobre o Excedente Operacional Bruto, indicador que mede a remuneração do capital antes de impostos. A projeção indica queda de 4,66% nesse índice.

Em valores atuais, a redução corresponderia a R$ 73,31 bilhões. O montante supera em mais de R$ 2 bilhões o faturamento do varejo no Natal de 2024, conforme comparação apresentada no documento.

A CNC afirma que, diante da compressão das margens, empresas poderiam adotar ajustes para manter operações. Entre as alternativas citadas estão reorganização do quadro de funcionários e ampliação do uso de tecnologia.

Ao final, a entidade conclui que a extinção do modelo 6x1, nos termos discutidos, tende a produzir efeitos relevantes sobre custos, preços, volume de vendas e rentabilidade do comércio brasileiro.

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