Negócios
Publicado em 23/02/2026, às 07h00 Foto: GPA/Divulgação Redação BNews São Paulo
A dona das redes Pão de Açúcar e Extra vive um momento delicado na Bolsa. As ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acumulam queda de cerca de 25% desde o início de 2026. Na última sexta-feira (20), os papéis até subiram 2,63%, fechando a R$ 3,11 na B3, mas o movimento não foi suficiente para reverter o cenário negativo.
No pregão anterior, as ações haviam despencado 11%, o que aumentou a preocupação entre investidores.
Em nota enviada ao BNews São Paulo, o GPA informou que consultou seus administradores e que não existe nenhuma informação relevante que ainda não tenha sido divulgada ao mercado.
Além disso, o mercado aguarda a divulgação do balanço do quarto trimestre, prevista para terça-feira (24). Parte dos investidores tem reduzido posições antes do resultado, diante das dúvidas sobre o plano de reestruturação da companhia e do cenário de consumo mais fraco no país.
O principal ponto de preocupação é o nível de endividamento. A alavancagem do GPA está em cerca de 4,5 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, índice considerado alto para o setor de varejo alimentar. Hoje, a empresa tem aproximadamente R$ 2,7 bilhões em dívida líquida, valor superior ao seu próprio valor de mercado, estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão.
Segundo reportagem da Times Brasil, analistas avaliam que a companhia pode precisar levantar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões por meio de um aumento de capital para reforçar o caixa. A medida ajudaria a melhorar as contas, mas teria como efeito a diluição da participação dos atuais acionistas.
Além disso, a estrutura societária adiciona pressão. O Grupo Coelho Diniz tem 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino possui 22,5% e estuda vender sua fatia, o que pode colocar um volume relevante de papéis no mercado.
Depois de subir 45% no ano passado com a expectativa de recuperação, o GPA agora enfrenta desconfiança. Cerca de 20% das ações estão em posições vendidas, um dos maiores níveis da Bolsa, sinal de que investidores aguardam sinais mais concretos de melhora financeira antes de voltar a apostar na empresa.
"A Companhia Brasileira de Distribuição (“GPA” ou “Companhia”), em decorrência da mensagem recebida da B3 em 19 de fevereiro de 2026, abaixo transcrita, vem prestar os seguintes esclarecimentos aos seus acionistas e ao mercado em geral:
No âmbito do Plano de Trabalho do Acordo de Cooperação Técnica, firmado pela CVM e B3 em 13/12/2011 e atualizado em 05/08/2025, a B3 informa a ocorrência de oscilações registradas com os valores mobiliários de emissão dessa empresa, conforme quadro abaixo, para sua avaliação, considerando o art.6º, § único da RCVM 44/21.
A Companhia informa que, tendo inquirido seus administradores, não tem conhecimento de nenhum ato ou fato relevante que não tenha sido prontamente divulgado ao mercado e que possa justificar as oscilações atípicas registradas em suas ações.
(São Paulo, 20 de fevereiro de 2026. Rodrigo Manso, Diretor de Relações com Investidores)"
Embu das Artes ganha Praça da Cidadania com investimento milionário; veja o que terá no espaço
SP lança plano de resistência a eventos climáticos extremos: entenda o que muda na prática